A volta bem rock-and-roll do Barão Vermelho

No início deste ano os músicos tiveram vontade de se juntar novamente, depois de quatro anos de pausa, e gravar o 15.º CD, Barão Vermelho, lançado agora pela Warner. Nesses 20 anos de carreira do Barão houve a liberdade consentida para se tocar projetos inimagináveis dentro do conjunto de rock. Frejat conta que, em princípio, a separação duraria apenas um disco-solo dele. "Antes de lançá-lo, percebi que eu estava a fim de uma carreira-solo. Chamei todos e falei que era importante para mim e para todos consolidarmos as coisas que estávamos fazendo." Na opinião do músico, o fato de cada um ter um caminho independente deixa todos tranqüilos para uma hora que quiserem ir embora. "Quando paramos, o que tínhamos? Só o Barão. Havíamos passado 20 anos só nos dedicando ao grupo. Hoje, temos outras coisas." Roberto Frejat, guitarrista e vocalista, investiu na carreira-solo e lançou dois discos. O percussionista Peninha montou a própria banda. O baixista Rodrigo Santos participou de shows do Kid Abelha, Blitz, da gravação do CD-solo de George Israel (do Kid Abelha), além de produzir o trabalho de novas bandas. O guitarrista Fernando Magalhães tocou com Gabriel O Pensador, Vinny, produziu CD dos Detonautas e criou um selo para bandas de rock desconhecidas. Já o baterista Guto Goffi abriu uma loja especializada em instrumentos artesanais. E motivados pela retomada de suas origens, do que eles chamam de "impressão digital do Barão", a banda quis marcar seu regresso com um CD essencialmente rock, sem economizar nos riffs de guitarra ou numa bateria mais contundente. Talvez, movidos ainda por um exercício de mea-culpa pelas experimentações testadas em discos anteriores, como as texturas exageradamente eletrônicas em Puro Êxtase ou a cozinha acústica de Balada. A poesia das letras do grupo - muito disso ficou perdido com a ausência de Cazuza - fora resgatada numa composição aqui outra acolá. Desta vez, Mauro Santa Cecília e Frejat recorreram a um poema de Baudelaire o adaptaram e o transformaram na canção Embriague-se. Além das 11 canções, há duas faixas que podem ser baixadas pela internet para quem comprar o disco. Segundo eles, isso não tem nada a ver com combate à pirataria: é um presente para os fãs. Um CD de rock era também um desejo de Tom Capone, co-produtor do álbum Barão Vermelho, ao lado de Ezequiel Neves e do próprio Barão. Nos últimos tempos envolvido com produções de MPB, Capone - que morreu recentemente num acidente nos EUA, após sair da premiação do Grammy Latino - elegeu esse novo trabalho da banda como o "CD de rock do ano".A repórter viajou a convite da gravadora Warner Music

Agencia Estado,

03 de novembro de 2004 | 18h58

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