Terje Bendiksby/EFE
Terje Bendiksby/EFE

A turnê crepuscular dos Stones

Banda toca no Rock in Rio Lisboa, parte de uma viagem que, para muitos fãs, não deve se repetir tão cedo

Jotabê Medeiros, Enviado especial a Lisboa - O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2014 | 03h00

Os Rolling Stones instalaram a sua excêntrica corte na capital portuguesa a partir das 19h30 da terça-feira, uma noite chuvosa em Lisboa. Juntos, eles somam 278 anos de excessos, excentricidades, diálogos artísticos, infâmias e generosidades. Septuagenários, vivem ainda como se cada noite fosse a última - e os fãs portugueses acreditam que essa será mesmo a derradeira.

Logo na chegada, o guitarrista Keith Richards não demorou muito tempo para publicar um selfie bonachão no Facebook, na qual saudou a cidade anfitriã: "Hello Lisbon!", disse o cigano amalucado, como o chama Mick Jagger. A maior banda de rock do planeta sobe ao palco, com todos os ingressos esgotados (a capacidade do Parque da Bela Vista é de 90 mil pessoas), na quinta, às 23h45, no festival Rock in Rio Lisboa.

A entourage stoniana chegou causando a Lisboa. Sem se abalar com a chuvinha e o frio, Mick Jagger saiu para badalar. Primeiro, passou pelo Station Club, onde fez fotos com o chef local e frequentadores. Depois, foi jantar no restaurante Casa de Pasto, no renovado Cais do Sodré, novo foco turístico lisboeta. Chegou ao local acompanhado apenas de um segurança e da fadista portuguesa Ana Moura (com quem gravou uma versão de No Expectations). Pediu para comer peixe espada preto e tomou uma cerveja.

Na manhã de quarta, Jagger acordou cedo e antes das 10 horas tomava café no Mercado da Ribeira, desta vez acompanhado do cantor canadense Bryan Adams - que não tem show em Lisboa, ou seja: pode ser que seja um dos convidados dos Stones (há expectativa também que o ex-integrante da banda, Mick Taylor, dê uma palhinha).

Nos últimos dois dias, a banda deu aos fãs a possibilidade de escolher em seu site uma música que irá entrar no repertório do show de amanhã no Rock in Rio. Os Stones não foram neutros na enquete: sugeriram 5 músicas para que iniciassem a votação: Start me Up, Angie, Miss You, (I can’t get no) Satisfaction e Sympathy for the Devil, com uma sexta hipótese em aberto para quem quiser indicar outra música - que é provavelmente o que todo mundo está fazendo.

Na segunda-feira, em Oslo, na Noruega, no primeiro show da turnê, os Stones propuseram a mesma enquete aos fãs locais e a escolha foi Let’s Spend the Night Together. Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood já tocaram em Portugal cinco vezes entre 1990 e 2007 (em Coimbra, Porto e Lisboa), mas os fãs tratam esse show como se fosse o Grand Finale do grupo - não têm expectativa de que voltem outra vez depois dessa.

Mas o próprio Richards, ao começar a temporada, não parecia estar iniciando uma despedida. "Vamos manter esse show na estrada. A banda está em sua melhor forma, então eu estou realmente ansioso para voltar a Lisboa."

Ao contrário de turnês passadas, como Bridges to Babylon e outras que faziam parte de uma corrida de megaentretenimento de arena, essa agora é um frankenstein de última hora - e o fato é que não se sabe nem mesmo ao certo os tamanhos dos palcos.

Segundo os próprios Stones, a turnê será um híbrido de palcos passados, shows que fizeram em estádios e festivais. Mistura hits clássicos, como Gimme Shelter, Paint it Black, Jumping Jack Flash, Tumbling Dice, It’s Only Rock’n’roll e "mais um par de inesperadas pérolas", afirma o grupo em seu site. A turnê passará ainda por Suíça, Holanda, Israel, Alemanha, França, Áustria, Itália, Espanha, Bélgica, Suécia e Dinamarca.

O cartaz do seu show, divulgado ontem no Facebook da banda, foi inspirado no trabalho do arquiteto espanhol Santiago Calatrava para a estação da Gare do Oriente, em Lisboa.

Há boatos de que o grupo poderia seguir ao Brasil para tocar no jogo de encerramento da Copa do Mundo de futebol no Brasil, mas não há nada concreto nesse sentido.

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