Paulo Pinto/AE - 02.05.2009
Paulo Pinto/AE - 02.05.2009

A trajetória de Wando

Hits e calcinhas marcaram carreira do cantor mineiro, que gravou 23 discos; artista morreu nesta quarta-feira, vítima de parada cardíaca

estadão.com.br,

08 de fevereiro de 2012 | 09h05

Antes da carreira musical, o cantor Wando, morto nesta quarta-feira, 8, vítima de parada cardíaca, foi entregador de leite, vendedor de jornais e feirante. "Fazia compras de verduras, legumes e frutas e vendia em feira livre", revelou Vanderley Alves dos Reis em depoimento disponível em seu site pessoal. Nascido em Arraial de Bom Jardim, em Minas Gerais, ele foi registrado na cidade de Cajuri, no mesmo Estado.

 

Após um passeio por Congonhas, a 70 Km de Belo Horizonte, passou a morar na cidade. Lá, envolveu-se com um grupo de música chamado Os Escaravelhos. "O primeiro sucesso que fiz na minha carreira, gravado por Jair Rodrigues, foi feito nessa cidade." Em Congonhas, incentivado por Nilo Amaro, cantor do grupo de MPB Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano, foi tentar a sorte no eixo Rio-São Paulo.

 

Com poucos recursos, fixou-se na capital paulista e morava em um hotel no centro que não dava direito a café da manhã nem possuía elevador. "Aí eu comecei a namorar a filha da camareira e passei a tomar o café da manhã. Comecei a me dar bem. Tomava a sopa da mamãe que custava R$ 0,60 e comia num lugar chamado Um Dois Feijão com Arroz, acho que era o lugar mais barato de São Paulo."

Descoberto pelo editor de música Antonio Almeida, foi apresentado a Jair Rodrigues que se encantou pela canção O Importante É Ser Fevereiro. "Ele se apaixonou pela música e gravou no mesmo dia". A música foi uma das mais tocadas no carnaval de 1974.

 

Seguiu-se o sucesso Moça, que vendeu, segundo o cantor, mais de 1,2 milhão de cópias do compacto simples, lançado em 1975. "O segundo disco chama-se Porta do Sol' que vendeu menos. Aí descobri que não basta você ter um sucesso, que você tem que fazer uma carreira."

 

Wando se mudou para o Rio de Janeiro e em seguida viria a fama de "obsceno", segundo o próprio cantor.

"Teve uma época que a gente fez um quindim, que era uma bunda masculina, que as mulheres tinham que meter a cara no quindim pra achar uma chave de motel. Teve uma época que eu distribuía convite de motel. Outra época, no Canecão (antiga casa de shows no Rio de Janeiro) a gente botou uma banheira, uma mulher nua no palco", relata o cantor.

 

 

 

A associação com as calcinhas, que marcaria a carreira de Wando, surgiu no álbum Tenda dos Prazeres (1990). "A calcinha de cabeça para baixo vira uma tenda. E o nome do disco era Tenda dos Prazeres. Aí coloquei uma calcinha na capa do disco."

 

A partir daí, a marca registrada de Wando seria distribuir (e também arrecadar) calcinhas durante suas apresentações. O cantor possuía uma grande coleção da peça íntima feminina. "De todas as formas e tamanhos. De pequenininha a muito grande."

 

O cantor gravou 23 discos e o último lançamento foi em 2001, intitulado Fêmeas.

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