A tradição do jongo tem encontro em Guaratinguetá

A cidade de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba (quilômetro 62 da Via Dutra), sedia, hoje e amanhã, o 8.º Encontro de Jongueiros, que vai reunir 13 praticantes do jongo vindos de diferentes cidades do interior dos Estados do Rio e São Paulo. Criado em 1996, por Hélio Machado de Castro, o Encontro sempre foi, antes, realizado no Rio de Janeiro. Ancestral mais evidente do samba, o jongo é manifestação afro-brasileira de dança, canto e poesia típica do Sudeste, com maior concentração no Vale do Paraíba, mas braços no Sul de Minas e no Espírito Santo. Vem da cultura de origem no Congo e pode ser também chamado de caxambu. Os cantos - chamados pontos - do jongo fazem a crônica das comunidades, a louvação das tradições e servem para desafio dos cantadores. Os participantes formam um círculo no centro do qual evoluem dançarinos, de par em par. Os tambores são feitos de troncos escavados com fogo; o calor do fogo também é usado para afiná-los. Originalmente, o jongo era prática masculina, exclusiva dos sábios conhecedores das tradições, os cumbas. Hoje, mulheres e crianças participam. Há não muito tempo, as comunidades jongueiras começaram a organizar-se para manter viva a história da cultura e oferecê-la às novas gerações. Em 2002, o Jongo da Serrinha, do Rio, tornou-se o primeiro patrimônio imaterial tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan. O Encontro de Jongueiros tem apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde leciona matemática o criador do evento, de ONGs, entidades de consciência negra e prefeituras das cidades que abrigam os grupos: Miracema, Santo Antônio de Pádua, São José da Serra, Barra do Piraí, Serrinha, Pinheiral, Angra dos Reis, todas do Rio de Janeiro, e Guaratinguetá, em São Paulo. O 8.º encontro contará ainda com a participação de jongueiros paulistas de Cunha, São Luís do Paraitinga, Piquete, Lagoinha e Taubaté. É decisiva tal participação para que essas cinco comunidades continuem existindo. Praticamente ignoradas pelo poder público, correm risco de extinção - o que seria catástrofe cultural. Dos jongos paulistas, apenas o de Guaratinguetá tem conseguido reconhecimento. Foi assunto de um documentário co-produzido pela TV Cultura e a Associação Cultural Cachuêra! (Feiticeiros da Palavra - O Jongo de Tamandaré), há dois anos e tem presença ativa em encontros de cultura étnica produzidos por entidades como Universidade Anhembi Morumbi e Itaú Cultural. De qualquer forma, as cidades fluminenses de Valença, Santo Antônio de Pádua, Angra dos Reis, Pinheiral, Miracema e Rio de Janeiro já sediaram encontros dos jongueiros. E desde 2000 existe uma Rede de Memória do Jongo, que zela pela sobrevivência da tradição, criando encontros, pesquisando referências, registrando imagens e sons. O encontro do fim de semana constará de mesa-redonda, com os líderes das comunidades presentes, a ser realizada hoje, a partir das 19 horas, no Centro de Atividades Educacionais (Rua Guaranis, 121), e roda de jongo, com todos os grupos, começando às 19 horas de sábado no Recinto de Exposições Manoel Soares de Azevedo, da Prefeitura de Guaratinguetá.

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