John Minchillo/Invision/AP
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A terceira idade de Bruce Springsteen

The Boss completa 65 anos nesta terça-feira, 23; ouça clássicos

Mateo Sancho Cardiel, EFE

23 Setembro 2014 | 09h36

NOVA YORK - Ninguém diria, mas Bruce Springsteen, The Boss, completa nesta terça-feira 65 anos, uma esplêndida entrada na terceira idade, sem vontade de abandonar sua atividade musical, sem deixar as cores, os “bons e os maus”, sua bandera, e, isso sim, começando a lançar contos.

Springsteen vendeu 120 milhões de discos, venceu 20 prêmios Grammy, dois Globos de Ouro e um Oscar, e o título de seu último disco, High Hopes (Grandes Esperanças), não deixa lugar para dúvidas sobre seu estado de espírito. No seu caso, não é que o velho roqueiro nunca morre, mas sim que não envelhece.

Só a publicação de Outlaw Pete, seu conto não tão infantil que será publicado no dia 4 de novembro, pode indicar que Springsteen se aproxima da figura de um avô, porém em cada show, com estádios abarrotados e sem se importar com a hora, ele se afasta da possibilidade de uma aposentadoria.

“A vida adulta consiste em lidar com um grande número de perguntas que não têm respostas. Esse é o mistério que deixo se instalar em minha música. Não nego nada. Não defendo nada. Só vivo com ele”, essa é a grande lição que a idade deu em Springsteen. Uma lição libertadora e rejuvenescedora.

Bruce Springsteen nasceu “in the USA”, claro, mais precisamente em Nova Jersey, em um bairro de classe média em busca de trabalho. Sua mãe era quem sustentava a casa, e seu pai, sem emprego, se debatia entre a autocompaixão e a crise de masculinidade.

Esse modelo de família, que não via com bons olhos sua paixão pela música, o levou a uma profunda admiração pela determinação da mulher e um entendimento do trabalho como dignificador do homem, o que lhe permite definir seu método para o êxito: viver a simples fórmula de subir no palco e suar.

“Creio que a política vem da psicologia, e a psicologia vem dos anos de formação, claro”, assegurava há dois anos em Paris, e é assim que lutou, sempre, nas letras de suas canções, sempre combativos à acomodação.

A música o colocou em contato com o mundo. “Antes de me dar conta de que o rock era minha maneira de me conectar com o resto da raça da humana, sentia que morria, por alguma razão que desconhecia”, define.

Nebraska, Atlantic City, Streets of Philadelphia, Land of Hope and Dreams, American Skin (41 Shots), Independence Day ou mesmo Born in the USA, que foi utilizado por Ronald Reagan para sua reeleição, dão a entender a pegada em que está sua inspiração por seu país. Seu filme preferido continua sendo The Searchers, western de John Ford.

Sempre orgulhosíssimo de suas origens, Springsteen se converteu assim no herdeiro natural do cantor folk Pete Seeger, a quem dedicou o disco We Shall Overcome.

Em seu manejo de termos aparentemente opostos, além de conciliar patriotismo e sentido crítico, ele sempre defendeu também que o catolicismo combina com o espírito livro do rock.

“Vivia ao lado de uma igreja e durante anos vi todos os casamentos, batizados e cerimônias que aconteciam ali. Uma vez católico, católico para sempre. A religião me deu alguns quebra-cabeças com o sexo… mas está tudo bem”, assegurou o cantor em Paris em 2012.

Com ou sem sua legendária The E Street Band, com suas aproximações à balada, ao country e inclusive ao pop, Bruce Springsteen não buscou desesperadamente renovar seu público e não entrou nas estratégias promocionais de gravadoras (é cada vez mais alérgico a entrevistas), mas caminha ao lado dos acontecimentos, que sempre seguiu de perto.

Foi uma das vozes do grande show Live Aid, em 1985, em 1998 foi headliner do show da Anistia Internacional e em 2004 participou da turnê Vote For Change, uma luta pela mudança que lhe rendeu satisfações: “temos um presidente negro nos Estados Unidos, algo que nunca pensei que viveria para ver”.

O que se pode esperar, então, do futuro de Bruce Springsteen? Ele mesmo disse quando apresentou Seeger no seu aniversário de 90 anos. “Vai parecer um avô com uma camisa de flanela e um chapéu estranho. Mas será um avô que pode te dar um chute na bunda, que aos 90 anos segue sendo um punhal furtivo que atravessa o coração dos delírios que este país tem sobre si mesmo”.

Ouça clássicos da carreira do The Boss

Dancing in the Dark

Streets of Philadelphia

Born in the USA

Born to Run

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