A revelação do jazz canta em SP

Depois de fazer seus primeirosshows em terra brasileira (dia 3, no Americel, em Brasília, e nofim de semana no Mistura Fina, no Rio de Janeiro), chega nesta terça-feira a São Paulo a nova pretty baby do jazz, Jane Monheit.Cantora daquela estirpe que justificaria a definição noir,"bela como um lábio partido", ela - que invariavelmente incluialgum Tom Jobim no seu repertório - põe-se à prova amanhã contraum dos mais exigentes públicos de jazz do País. Melhor cantorado gênero em 2001, segundo a Associação Mundial de Críticos deJazz, ela tem convencido platéias do mundo todo. E tem apenas 24anos. No seu repertório, predominam músicas do álbum deestréia, Never Never Land (N-Coded Music/2000) e do segundoCD, Come Dream with Me (N-Coded Music/2001), além de préviasdo seu novo disco. Na estréia, ela já mostrava que era dura naqueda, cantando dez baladas na companhia de gente como KennyBarron, Ron Carter, Lewis Nash, Bucky Pizzarelli, Hank Crawforde David "Fathead" Newman. Nesse trabalho novo, ela inclui Começar de Novo (quecanta em português) e Once I Walked in the Sun, duas cançõesde um dos brasileiros mais apreciados pelo público jazzísticoamericano, Ivan Lins. Jane será acompanhada por Michael PaulKanan (piano), Rick Montalbano Jr. (bateria), Joseph ChristopherMartin (baixo) e Joel David Frahm (sax). Uma diva branca de nariz arrebitado e um grupo brancoexperimentado. Salvo engano, o pianista Michael Kanan andou poraí acompanhando o cantor Jimmy Scott no grupo The JazzExpressions. Rick Montalbano Jr. (que vem também a ser onamorado da cantora) é filho de um pianista de renome e tocou noquinteto do pai, ao lado do saxofonista Joel David Frahm. O grupo tem um set list provável, com poucas gradações.Eles abrem seu show com a instrumental Please Be Kind, doseu álbum de estréia, Never Never Land. Depois, entra missMonheit, cantando Dindi, de Tom Jobim, também gravada porela. "Jane Monheit mostra estilo, calor e suficiente maciez navoz", descreveu uma revista especializada. O set brasileiro demiss Monheit pode incluir ainda How Insensitive, a versão eminglês de Insensatez, de Jobim, e Waters of March(Águas de Março). Como muitas cantoras americanas jovens, é tremendamenteinfluenciada pela bossa nova, como se vê no conjunto de baladasque desfila nos shows. Mas ela credita a maior influência a EllaFitzgerald, como não poderia deixar de ser. Depois da abertura, vêm More than You Know e, deGershwin, I Was Doing All Right. Emenda a seguir Never LetMe Go, Hit the Road to Dreamland, My Foolish Heart,Nobody Else But Me, The Meaning of Blues. Em seguida, vem aquela que ela considera sua preferida,I´ll Be Seeing You, seguida de Somewhere over theRainbow - uma das duas canções que cantava quando começou atreinar a garganta, com apenas 2 anos, em Long Island (a outramúsica era Honeysuckle Rose). Afinal, o bis, com TheyCan´t Take that Away from Me. Ela tem berço musical. A tia e a avó eram cantorasprofissionais. O irmão é guitarrista de rock. O pai tocavabluegrass com banjo e a mãe era do teatro musical. Jane começouestudando clarineta e teoria musical. Aos 17 anos, estudava comPeter Eldrige (fundador do grupo vocal New York Voices) nacélebre Manhattan School of Music e também já cantava em baresdo Village. Tudo isso parece histórico, mas faz apenas um punhado deanos. Jane Monheit está na flor da idade, mas se vai escreverseu nome de fato na história do jazz é coisa que devemos pagarpara ver.Serviço Jane Monheit. Amanhã (09) a quinta, às 22 horas. De R$55,00 a R$ 95,00 (couv. art.). Bourbon Street Music Club. Ruados Chanés, 127, tel. 5561-1643. Até quinta. Patrocínio: DinersClub International

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