A nova e a velha-guarda do samba

Uma extensa programação do samba genuíno terá início hoje no Sesc Vila Mariana. O projeto Na Cadência Paulista do Samba vai reunir a nova geração e a velha-guarda de sambistas, aproveitando a comemoração dos 452 anos de São Paulo. Shows inéditos, sob direção musical de Eduardo Gudin, uma exposição e um bate-papo com músicos e jornalistas vão ocorrer no teatro (R$ 7,50 a R$ 20) e na Praça de Eventos (grátis) do Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141, tel. 5080-3000). Não só grupos e cantores paulistas vão participar do projeto. Aqueles que possuem uma ligação forte com o samba produzido em São Paulo foram convidados, a fim de mostrar seu repertório. Como, todos os dias, muitos sambistas vão se apresentar juntos, não será possível apreciar a fundo a arte de cada um deles. No entanto, Shirlei garante que, no projeto, refinação é o que não vai faltar. "A idéia é que os artistas tratem com mais carinho o que vão levar ao palco. Tanto o público quanto os próprios artistas vão valorizar ainda mais a sonoridade", acredita Shirlei. Os shows serão divididos em duas partes: na primeira, os músicos se apresentarão com seus próprios grupos de samba; na segunda, serão acompanhados por uma orquestra de 18 instrumentistas, especialmente reunidos para o projeto. Dona Inah, cantora que venceu o Prêmio Tim na categoria revelação aos 70 anos, no ano passado, vai mostrar seu talento ao lado de outro veterano, o sambista João Borba, e do Grupo Samba Autêntico, na sexta-feira. "Tem muita gente talentosa no samba hoje em dia", afirma Dona Inah. Com fôlego de causar inveja a muito jovem, a sambista continua se apresentando às terças-feiras, das 22 horas às 3 da madrugada, no Ó do Borogodó, famosa casa dos amantes do bom samba, localizada na Vila Madalena. "É muito gostoso fazer shows à noite. Sempre conhecemos pessoas novas e fazemos novos amigos. Muitos vêm de fora para assistir aos shows que faço", conta, muito feliz com a carreira que, finalmente, foi reconhecida e da qual só agora obtém frutos. No mesmo dia, após a apresentação de Dona Inah, Ná Ozzetti, Germano Mathias e os mais famosos intérpretes das canções de Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa, subirão ao palco. "A Ná Ozzetti se identificou com outras linguagens musicais durante a sua carreira, mas adorou o convite para participar do projeto e cantar sambas", conta Shirlei. No domingo, Fabiana Cozza - uma das mais jovens e talentosas intérpretes de compositores como Geraldo Filme, Cartola e Silas de Oliveira - vai cantar sambas clássicos e também de jovens autores dos grupos Parangolé, Inimigos do Batente e Quinteto em Branco e Preto. Elogiada por Dona Inah - "nós somos suspeitas para falar uma da outra", diz Fabiana -, a sambista, que acaba de completar 30 anos, diz que jamais deixa de reverenciar a fonte de que veio. Seu pai, o sambista Oswaldo dos Santos, foi sua grande influência no samba. Ele integra a velha-guarda da Camisa Verde e Branco e participou na composição de diversos sambas-enredo da escola. Uma prévia do próximo show de Fabiana, um espetáculo cênico-musical, inspirado no livro Contos Negreiros, de seu amigo Marcelino Freire, será apresentado dentro do projeto A Plenos Pulmões, no Itaú Cultural, no sábado, às 19h30. "O show, mesmo, deve estrear em abril." Tanto Fabiana como Dona Inah pretendem lançar novos CDs no segundo semestre. Enquanto isso, escolhem o repertório. Fã de Rappin Hood, Fabiana quer convidá-lo para participar do novo CD. "Já sei até a música que quero que ele cante", conta a intérprete, que ainda não o conhece pessoalmente. A equipe do Sesc Vila Mariana também pensou na realização da exposição A São Paulo de Adoniran e Vanzolini, que vai levar ao público músicas dos dois compositores que falam sobre as regiões da capital paulista, além de fotos da época e outras atuais. Um bate-papo com os críticos musicais Tárik de Souza e Mauro Dias, Oswaldinho da Cuíca e integrantes da nova geração do samba paulista, T. Kaçula e Elisangela Nê, está programado para o sábado. O Sesc Consolação (R. Dr. Vila Nova, 245, tel. 3234-3000) entrou no embalo da unidade da Vila Mariana e chamou alguns músicos do projeto Na Cadência Paulista do Samba para se apresentarem no Hall de Convivência, gratuitamente, sempre às 20 horas. Hoje tem apresentação do grupo feminino Samba de Rainha; quinta, Eduardo Gudin; e sexta, Quinteto em Branco e Preto.

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