A nostalgia dos anos 50 na voz dos Platters

Sem esperar que alguém pudesse lhe procurar para fazer tal pergunta, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fica calado do outro lado da linha por uns dois minutos. "Então, senador, qual é para o senhor o melhor rock já gravado em todos os tempos?", insiste o repórter. "Bem... é... É uma coisa mais do meu tempo. Não sei se é rock. Mas é... Only You, dos Platters." Não é a mais esperada das respostas para uma enquete sobre rock-and-roll.Mas Suplicy ouviu muito a canção com a ex-mulher Marta e a guardou na memória como se fosse sua música. Os Platters estão no Brasil para se apresentarem pela 15.ª vez em shows, hoje e amanhã, no Teatro Procópio Ferreira. O que pensam sobre o fato de terem sua canção como trilha da love story sem happy end dos Suplicy? "Não sabíamos disso. Mas ficamos muito felizes e honrados. Muitos casais têm histórias embaladas por Only You", afirma o cantor BJ Mitchell.Only You, The Great Pretender, My Prayer. Mitchell adianta que não cantará nenhuma novidade, mas que conduzirá o tempo de volta aos anos 50 se depender de repertório. "Não cantaremos músicas novas. Mas prometemos lembrar de Louis Armstorng (What a Wonderful World), The Carpenters, (Close to You) e Nat King Cole, (Unforgettable)."Não há razões para que os Platters se preocupem com novidade. É com o que fizeram no passado que não param de correr continentes. Mesmo sem ter mais integrantes que estiveram na formação original - o último deles, Paul Robi, morreu de câncer em fevereiro de 1989 -, seus números provocam falta de ar.Em 45 anos, o grupo vendeu 80 milhões de discos. Foram acusados no início de "incentivarem a prostituição", mas foram também o primeiro grupo de música negra a cantar para o papa e para a rainha da Inglaterra. Desde que foram criados, em Los Angeles, em 1953, gravaram mais de 400 músicas e receberam 230 prêmios. Em filmes, tiveram 27 participações. A principal delas foi em Rock around the Clock, estrelado por Bill Haley.Não se ouve dizer que os Platters gravaram um novo disco ou que estejam com uma nova música nas rádios. Mitchell fala sobre o que mudou para um grupo que, assumidamente, vive em algum lugar perdido dos anos 50. "Acreditamos que existam muitos grupos vocais, não só nos Estados Unidos, mas em outras partes do mundo. As mudanças são naturais por causa da tecnologia, da eletrônica. Mas acreditamos que há lugar para todos."O fato de não haver mais integrantes originais não é um problema para o cantor. "O espírito é o mesmo. Mesmo não sendo a formação original, existem dois integrantes, eu e Larry Hicks Donell, que tocaram com um dos fundadores. Ou seja, nós mantemos o mesmo clima."E não há farpas para nenhum dos milhares de artistas que regravam suas canções. "Nós gostamos muito de qualquer grupo que regrave uma música nossa, porque, além de nos sentirmos homenageados, os novos grupos estão, na verdade, difundindo ainda mais o trabalho dos Platters."The Platters. Hoje e amanhã, às 21h. Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2823. Tel.: 3082-2409). R$ 40 e R$ 60.

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