A nobreza do samba, em show e CD

O veteraníssimo Roberto Silva, cognominado O Príncipe do Samba, senhor como nunca do título, do alto de seus 82 anos, e a extraordinária Cristina Buarque, com a voz de preta velha e, na memória, a história do samba carioca, estão à frente do elenco do CD duplo O Samba É Minha Nobreza, que a gravadora independente Biscoito Fino acaba de lançar.Com eles, expoentes da nova geração do gênero, gente que não chegou aos 30 anos e canta e toca nas casas noturnas da Lapa carioca hoje revigorada, em grupos como o Semente, o Anjos da Lua, o Pé de Moleque, o Cordão do Boitatá (às vezes participando de mais de um deles): Pedro Aragão, Pedrinho Miranda, Pedro Paulo, Tereza Cristina.Os arranjos são de Paulão Sete Cordas, violão de sete requisitado por dez entre dez estrelas do samba e do choro; a produção é de Hermínio Bello de Carvalho, que, num primeiro momento, havia pensado num show que recontasse a história da música urbana carioca por excelência. Juntou a turma acima enumerada (o elenco é maior e inclui, ainda, entre outros, o cantor e percussionista Zé Cruz, encarregado de tocar o chapéu de palha, os percussionistas Trambique e Marcos Esguleba, o violonista Bernardo Dantas, o flautista Marcelo Bernardes, o trombonista Roberto Marques, etc.) e montou o espetáculo, tendo como base de roteiro músicas lançadas entre os anos 30 e os 50.O show O Samba É Minha Nobreza estreou no dia 3 de abril e fica em cartaz até o dia 28 de junho, no Cine Odeon BR, na Cinelândia, centro carioca, de segunda a sexta-feira, com duas apresentações diárias - às 12h30 e às 14h30 - e ingressos a R$ 2,00."A idéia do espetáculo nasceu antes deste CD duplo", escreve Hermínio Bello de Carvalho no texto de apresentação do álbum, para explicar: "Daí a estrutura quase teatral do disco: uma seqüência de módulos, que eu chamo de blocos temáticos." E os blocos são seus: O Samba por Ele Mesmo: Sua História; Alvorada: O Amanhecer no Morro; Batuque na Cozinha: Sambas de Trabalho e Algaravias; Sambas de Machismo; O Vil Metal: Sambas de Miserê; e A Dinastia e a Nobreza do Samba.Disco e show têm a mesma divisão em blocos, na mesma ordem, com as mesmas músicas. Em O Samba por Ele Mesmo tem-se de Quem Vem Lá?, de Bide e Marçal, e Queremos Ver, de Antônio Caetano e Monarco, a Silenciar a Mangueira, de Cartola, e A Voz do Morro, de Zé Kéti. Abre e fecha o bloco um samba inédito da cantora Teresa Cristina com letra do diretor do espetáculo, Hermínio. Chama-se, naturalmente, O Samba É Minha Nobreza.No bloco Alvorada estão, entre outras, Gorjear da Passarada, de Casquinha e Argemiro (dois octogenários que acabaram de lançar seus discos de estréia), Alvorada, de Cartola, naturalmente, Na Linha do Mar, de Paulinho da Viola, Manhã Brasileira, de Manacéa.Batuque na Cozinha, de João da Baiana, e Patrão, Prenda Seu Gado, de Pixinguinha e João da Baiana, enquadram-se no bloco temático Sambas de Trabalho e Algaravias. Entre os Sambas de Machismo não poderiam faltar Ai, Que Saudades da Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago, ou Amor de Malandro, de Francisco Alves e Ismael Silva. O bloco apresenta uma música - até prova em contrário - inédita de Cartola: o samba de breque Vou Contar Tintin por Tintin.O Pagamento Não Saiu, de Geraldo Pereira e Haroldo Lobo, e Coitado do Edgar, de Benedito Lacerda e Haroldo Lobo estão no grupo do Vil Metal; e Pisei num Despacho, de Geraldo Pereira e Elpídio Viana e Oh, Seu Oscar, de Wilson Batista e Ataulfo de Paiva estão em A Dinastia e a Nobreza do Samba. Obra-prima de intepretrações, arranjos, seleção de repertório, o CD duplo é obrigatório. E vale a ponte, ver o show.

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