Alex Silva
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A mulher que lançou single ‘Resistir’ após lives caseiras para manter saúde mental na pandemia

Débora Costa e Silva usou o amor pela música para driblar depressão durante isolamento social e planeja EP para 2022

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2021 | 05h00


Aos 13 anos, Débora Costa e Silva começou a cantar e a tocar violão, participando de grupos de percussão, corais, bandas e chegou a se apresentar em alguns bares. “Mas depois que comecei a trabalhar, fui parando e deixando a música para trás”, lembra a copywriter. E quantos desejos e sonhos abandonamos no meio do caminho por necessidades impostas pela vida? Agora, pouco mais de duas décadas depois, a jornalista resgatou o amor pela música para driblar a depressão na pandemia de covid-19. Em outubro, ela lançou o single Resistir, inspiração após série de lives caseiras que fez com amigos durante o isolamento social.



Em março de 2020, a jornalista, de 35 anos, entrou em home office. Bateu aquele medo de morrer, de perder as pessoas. “Parecia que o mundo estava acabando. E aí isso me deu uma sensação de urgência de viver. Pensei: ‘daqui a pouco posso morrer e eu não estou fazendo aquilo que mais gostava de fazer’. E aí eu comecei a me arriscar fazendo vídeos primeiro e depois live”, afirma.

Débora decidiu organizar transmissões ao vivo, caseiras, com amigos nas redes sociais. Nos vídeos, voz e violão eram parceiros fiéis, mas os cenários variavam entre sala e varanda do apartamento. “Foi uma forma de encontrar motivação, me divertir. A vida tinha ficado só trabalho e isolamento. E, de repente, as lives se tornaram um motivo de viver, de me realizar, ter um pouco de alegria e super importantes para me manter bem e sã”, ressalta.

Nas primeiras apresentações, ela escolheu repertórios nostálgicos que misturavam pop nacional, pagode e MPB, além de divas internacionais como Madonna e Shakira. Uma das lives, em junho de 2020, foi intitulada como ‘Bailinho da Débora’, remetendo aos antigos bailes em que os jovens dançavam com a vassoura, caso não conseguissem um par na pista.

“Gente, no sábado farei mais uma live, dessa vez só tocando aqueles hits internacionais românticos que todo mundo já ouviu no elevador, mas tem vergonha de admitir que gosta”, brincou no post no Instagram.


 



As lives, transmitidas pelo Instagram, Facebook e YouTube, começaram a se destacar pela linguagem divertida e interação com os internautas e amigos. Aos poucos, Débora Costa e Silva foi perdendo o medo: “Acho que foi minha tábua de salvação, porque eu via muitos amigos entrando em depressão e, para mim, foi meio que o contrário, a minha fonte de alegria, de satisfação. Eu ficava ensaiando para as próximas lives, gastava meu tempo livre, em vez de ficar com medo, em depressão, pra pensar nos projetos”.

As lives temáticas da Marisa Monte, Rita Lee e Cássia Eller, esta última com 350 views, foram as de maior audiência e engajamento.

Assista ao vídeo:

 


Conexões instáveis de internet e tempo limitado de transmissão não a desanimaram. Eventuais desafinadas, que fazem parte da rotina de qualquer artista, também não foram capazes de tirar a confiança de Débora, que encontrou energia também para compor músicas próprias. Resistir, o primeiro single profissional gravado por ela, é fruto desse período de pandemia. “Por estar mais tempo em casa e sozinha acho que me permiti criar mais. Por ‘travas’ minhas, não conseguia me soltar, fazer coisas próprias. Nunca tinha pensado que iria conseguir, pois sempre toquei música dos outros. Ao longo desse tempo, fui maturando a ideia de gravar. ‘Resistir’ se tornou muito especial, acho que por conta do isolamento e dessa fase de bastante criatividade”, conta.



No trabalho de estúdio, Débora contou com a ajuda da professora de canto, Vivi Rocha, que, além de produzir o single, explicou passo a passo para ela como gravar um disco. Além disso, ela chamou um amigo, que é fotógrafo, para fazer um making off: “Eu banquei tudo isso: a produção musical, os profissionais, fotos e vídeos. E foi um dia muito legal“.

Todos os envolvidos fizeram teste de covid antes. O resultado de tanta dedicação é uma bela composição estética de cores, iluminação, algumas falas de bastidores e, claro, música boa, feita com amor.  


Assista ao vídeo:

 


Cantar e tocar, agora, é um caminho sem volta para Débora, que pretende lançar um EP em 2022. “O single foi mais uma forma de registrar e deixar pública essa música e não tenho pretensão de investir na carreira artística como principal fonte de renda, nada disso. É um hobby que levo a sério. Pretendo gravar outras músicas que já escrevi para lançar um EP no ano que vem. Sem pretensão de tocar em rádio e nada disso. Só queria marcar essa realização”, conclui.

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