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A metamorfose espontânea de Karina Buhr

Com peso das guitarras, artista se desprende de amarras e reaparece roqueira em segundo disco

Pedro Antunes - Jornal da Tarde,

17 Novembro 2011 | 21h30

A larva, o casulo, a borboleta. Enfim, a liberdade de bater as asas e voar ao sabor do vento. Karina Buhr chega ao segundo disco, Longe de Onde, assim: livre. Sem amarras, foge de parâmetros, gêneros, classificações, paradigmas. Aos 37 anos, a cantora e compositora passou por transformações mil, do teatro, da percussão, do trabalho de estreia e do rótulo de "nova voz da MPB".

 

A palavra mais repetida durante a entrevista ao JT, por telefone, sobre seu segundo álbum, o sucessor do elogiado e polivalente Eu Menti Pra Você, lançado em janeiro de 2010, é "espontaneidade". As decisões não são tomadas de forma tão cerebral, diz ela, mas numa busca pela naturalidade.

 

Assim como é natural a evolução a cada disco. O primeiro, Eu Menti..., tinha um conceito de que não haveria guitarras. Nos shows, elas entraram. Vieram também Edgard Scandurra e Fernando Catatau - um ex-Ira! e espécie de padrinho de uma boa geração de músicos independentes, e o outro, voz e guitarra da psicodelia-indie-brega do Cidadão Instigado. "Eu tinha uma dificuldade de fazer algo mais pesado, que é natural quando se incluem guitarras no som. Com o Edgar e o Catatau, comecei a puxar esse tipo de sonoridade", conta Karina. "É engraçado hoje, ouvir o meu primeiro disco. O som que fazemos hoje nos shows é bem mais pesado, agressivo, sabe? Mas foi natural. Não buscamos uma mudança intencional", repete ela.

 

Karina não quer forçar a barra. Faz o que tem vontade. "O Longe de Onde surgiu de uma necessidade que tive, sem pressionar ou me dispor a fazer algo que eu não quisesse", diz. A cantora nascida na Bahia, criada em Pernambuco e há oito anos em São Paulo repetiu um mesmo processo de seu début musical: se inscreveu em novo edital do projeto da Natura Musical e ganhou.

 

 

"De repente, fomos aprovados", diz, lembrando que todo o processo foi acompanhado por Duda Vieira, amigo que assina a direção de produção e assessoria artística de Karina. "Todos da banda estavam pilhados para gravar. Eu já tinha um monte de ideias na cabeça. Para começar foi rápido".

 

Amadurecimento e parceria. O trabalho se desenvolveu através da parceria da cantora com Bruno Buarque e Mau, bateria e baixo respectivamente, e produtores do disco ao seu lado. "Eu já tinha duas músicas: Sem Fazer Ideia e Copo de Veneno. Inclusive elas tinham sido tocadas em shows. Comecei com o Bruno e o Mau, fazendo as bases das músicas. Depois, vieram as guitarras e o trompete (tocado por Guizado). Queria fazer mais, ter umas 16 músicas, para então cortar, mas me apeguei a essas 11 que estão no disco."

 

O resultado do trabalho é heterogêneo, aliando estilos diversos. Há, inclusive, uma espécie de canção falada (quase um rap) chamada Sem Fazer Ideia. O disco transita entre o rock das guitarras e a MPB. Karina não sabe, nem quer, classificar seu som. "Canto as minhas músicas. Para mim, o mais importante é isso. Não me preocupo com críticas. Não mesmo. Tem tanta música diferente uma da outra. É natural alguém gostar de uma música e odiar todas as outras. Gente que curte mais rock, claro, vai gostar das mais pesadas. Eu acho engraçado, na verdade."

 

 

O maior desafio da cantora nesse novo trabalho é o que ela chama de "deixar de ser vista como cantora". Ela explica: "Qualquer rótulo é chato. Você acaba entrando nisso. É claro que você precisa se encaixar em algum lugar, numa loja você vai ser catalogado numa prateleira, para que as pessoas possam achar você", diz Karina. "Para mim, ser dessa ‘nova geração de cantoras’ é estranho. Eu comecei a tocar em 1994. Fico agoniada com esse negócio de ser mais uma ‘cantora’. É um hall especial: a mulher que canta. Antes de qualquer rótulo, vem esse aí."

 

Intencionalmente ou não, ela se transforma no palco. Veste roupas dignas de Lady Gaga, usa maquiagens coloridas. É a fuga dos estereótipos, como o faz no novo disco, como canta nos últimos versos de Sem Fazer Ideia: "a gente inventa o que tem / E aí crio asas e aí elas querem voar". Karina Buhr criou as suas e está pronta para os próximos voos.

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