A maior festa sonora de São Luiz do Paraitinga

1.ª Semana da Canção Brasileira chega também às ruas, restaurantes, bares, calçadas

Lauro Lisboa Garcia,

26 de novembro de 2007 | 20h25

Durante sete dias a cidade paulista de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, virou uma espécie de spa musical, como definiu o compositor mineiro Kristoff Silva. Como Kristoff - que estava lá como apreciador de boa música, mas, tomado do espírito da coisa, acabou dando canja em dois shows - tanto compositores, educadores, instrumentistas, repórteres, visitantes e a população da cidade tiveram à disposição diversas "massagens" sonoras. E isso ocorreu não apenas nos cinco endereços do eventos da 1.ª Semana da Canção Brasileira, mas nas ruas, nos restaurantes, bares, calçadas. Como disse a cantora Suzana Salles, idealizadora e curadora do evento, era visível "o tema da canção brasileira acontecendo" em todos os cantos. Galvão Frade, secretário de Cultura local, classificou como a maior festa musical que a cidade já teve. "A realidade ultrapassou os meus maravilhosos sonhos. Todos os objetivos foram atingidos", avaliou Suzana, que já conta com a promessa do governo do Estado para a realização de pelo menos mais três edições da Semana. Ou seja, pelo menos enquanto João Sayad, que foi conferir o evento, estiver no cargo de secretário de Estado da Cultura. Segundo Suzana, o resultado satisfatório desta primeira edição atraiu outros dois possíveis patrocinadores, além da Natura, que bancou parte do projeto em parceria com o governo estadual. Com isso, a cantora pretende ampliar o alcance do evento. Para ela, ter no futuro um Chico Buarque no evento, para refletir sobre a canção brasileira, pode não ser sonho tão impossível. A 1.ª Semana da Canção Brasileira contou com uma maioria de profissionais da música paulistanos ou sediados em São Paulo, como Luiz Tatit, Zé Miguel Wisnik, Chico César, Arnaldo Antunes, Fabiana Cozza, Ceumar, a dupla Paulo Tatit e Sandra Peres, da Palavra Cantada, Arthur Nestrovski, Ivan Vilela, Chico Saraiva, Dante Ozzetti. Suzana diz que até Sayad a princípio achou "muito paulista" a semana, mas segundo ela, três fatores foram determinantes na escolha: proximidade, facilidade e solução financeira. Canções inéditas Os shows no Coreto Elpídio dos Santos atraíram 10 mil pessoas em cinco noites. No mesmo palco - em que se apresentaram Arnaldo Antunes, Luiz Tatit e convidados, Chico César, Renato Braz e a Banda Glória -, entre sexta e domingo, ocorreu um festival de canções inéditas. Dentre os cerca de 300 inscritos e 20 selecionados, saiu vencedora a paulista Iara Rennó, com Planador. O segundo colocado foi o brasiliense Túlio Borges com Noite das Meninas, e o terceiro, a dupla Julli Pop e Jotacê, de Cotia-SP, com Chuta Lata. Cahê Rolfsen, também de São Paulo, foi escolhido o melhor intérprete por Sobre a Madeira e o Couro.  A cada dia ou atração apresentada, tornava-se claro o envolvimento, com entusiasmo, do público e dos músicos que circulavam pela pequena e aconchegante cidade, onde todo mundo acaba se cruzando e trocando impressões. As apresentações de Zé Miguel Wisnik, Fabiana Cozza e Palavra Cantada (respectivamente na sexta, no sábado e no domingo) no Mercado Municipal foram das mais bem-sucedidas e comentadas. A palestra de Luiz Tatit, na quinta na Casa Oswaldo Cruz, também repercutiu em rodas de conversas durante os outros dias. No sábado, o debate sobre educação musical no Brasil colocou os experientes Ricardo Breim, Teca Alencar e Regina Machado em contato com educadores de Paraitinga e da região.  Wisnik, que contou com Nestrovski, Celso Sim, Swami Jr. e a canja de Kristoff Silva, talvez tenha sido quem mais bem realizou a idéia de oficina cantada. O show de Fabiana, que terminou numa animada roda de samba, com a cantora no meio do público, teve a força de um descarrego. A concorrida apresentação da Palavra Cantada atraiu muitas famílias e, como já é habitual, tinha muitos pais e mães emocionados e fazendo coro em todas as canções, até mais que os filhos. Na tarde de sábado, o Grupo Paranga, um dos orgulhos da cidade, transformou o calçadão do Coretinho num grande baile de carnaval, com suas deliciosas marchinhas. Na primeira parte do show, o grupo privilegiou as ternas canções de Elpídio dos Santos, outro patrimônio musical de Paraitinga. Segundo Suzana, a cidade se confirmou como o ponto ideal para a realização de uma semana como esta, já que é "guardiã de muitas tradições e de olho no futuro".  O repórter viajou a convite da organização do evento.

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