A lua-de-mel de Macalé com o século 21

Compositor e cantor lança 'Macao', que inclui duas inéditas e resgata canções suas dos anos 70 em diante

Roberta Pennafort, de 'O Estado de S. Paulo',

23 de julho de 2008 | 17h46

O século 21 está sendo bem produtivo para Jards Macalé. Sua carreira fonográfica se resume a 11 discos, sendo quatro desde 2002, quando lançou 'O Q Faço É Música'. Trinta e cinco anos depois do primeiro, 'Jards Macalé', chega 'Macao', "que não tem idéia, conceito; é só o prazer de cantar cada música". No repertório, músicas suas dos anos 70 em diante, duas inéditas e canções de outros.  Veja também:Ouça 'Ne me quitte pas'Ouça 'Corcovado' Para começar, 'Farinha do Desprezo', que abriu também Jards Macalé. 'Boneca Semiótica', de 'Aprender a Nadar' (1975), foi resgatada pelo grupo Laptop&Violão, que participou da gravação. Engenho de Dentro, parceria com Abel Silva dos anos 80, estava esquecida. Já 'Se Você Quiser', com Xico Chaves, é mais recente. Algumas homenagens: 'Um Favor', a Lupicínio, 'Ronda', a São Paulo, 'Corcovado' (Tom Jobim), aos 50 anos da bossa nova.  "Eu procurei no YouTube, meu atual dicionário, a imagem do João Gilberto tocando violão. Fiquei pegando a harmonia que ele fez. Queria a dele porque é a original. Não se está falando tanto dessa tal de bossa nova por aí?", indaga Macalé, cujo projeto inicial era um disco de voz e violão.  Cristovão Bastos, que já havia produzido 'O Q Faço É Música, Amor, Ordem e Progresso' (2003) e 'Real Grandeza' (2005), entrou na jogada e trouxe com ele não só seu piano, mas flauta, baixo e bateria. No fim das contas, quatro faixas ficaram do jeito que Macalé imaginara - caso de 'Só Assumo Só', de Luiz Melodia, além de 'Farinha do Desprezo', 'Um Favor' e 'Corcovado'. Sacando o francês que aprendeu no colégio (Mallet Soares, o mesmo dos bossa-novistas Carlos Lyra, Luis Carlos Vinhas e Roberto Menescal), e tendo como referência as gravações de Maysa e Nina Simone, ele interpreta 'Ne Me Quitte Pas' (de Jacques Brel). Para 'Macao' (mais um apelido), Macalé resgatou ainda sua 'The Archaic Lonely Star Blues' (com Duda) - escrita em português e inglês e gravada por Gal Costa em 'Legal', disco de 1970 do qual foi o diretor artístico - e 'Balada', feita em parceria com Ana de Hollanda. O resultado é um CD enxuto, sem uma temática, mas cheio de história. "Fui pinçando as músicas ao meu bel prazer. Gostei muito do século 20 e estou gostando mais ainda do século 21."

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