O músico britânico e cofundador do Pink Floyd canta na turnê 'The Wall Live' no Estádio Olímpico de Roma, na Itália, em 28 de julho de 2013. Foto: EFE/Stefano Costantino
O músico britânico e cofundador do Pink Floyd canta na turnê 'The Wall Live' no Estádio Olímpico de Roma, na Itália, em 28 de julho de 2013. Foto: EFE/Stefano Costantino

'A história de The Wall continua até hoje', afirma Roger Waters

Fundador do Pink Floyd lança amanhã documentário que mostra os bastidores da turnê mundial de 2010

Agência EFE

28 Setembro 2015 | 15h43

Mais de 35 anos depois, Roger Waters acredita que ainda há muito a dizer sobre o disco The Wall. O músico trabalha em um projeto para transformar a obra em musical e lança amanhã mundialmente o documentário Roger Waters: The Wall.

"A história é parecida com o que acontece no mundo agora, e que provavelmente acontecerá também no futuro. A história continuará atual enquanto não resolvermos o problema dos poderosos que vivem às nossas custas", afirma o fundador do Pink Floyd.

E nunca se cansou de voltar a esse disco? "Não", responde sem rodeios, antes de se desculpar se havia soado mal-educado durante a entrevista para divulgar o novo trabalho. Ele dirige com Sean Evans o documentário gravado entre 2010 e 2013, durante a última turnê mundial de The Wall, e a alterna as imagens do show com momentos íntimos. 

"Durante grande parte da minha vida, me senti muito sozinho. Escrever The Wall foi uma forma de expressar esses sentimentos que, graças à turnê, se transformaram em uma metáfora", explica.

É notório que o álbum nasceu da frustração com o público em um show do Pink Floyd, o que o levou a cuspir nas pessoas. "Eu me arrependi daquilo no dia seguinte", admite. A evolução de sua relação com os fãs é 'notável', afirma. "Cada vez tenho me sentido mais confortável na companhia do público", diz sobre a última turnê internacional, que reuniu mais de 4 milhões de pessoas. 

"Esse show já acabou. Não voltarei a sair em turnê com ele", garante, antes de ressaltar que correu riscos, mas com enorme recompensa. Afinal, era um trabalho interessante que poderia se transformar em outros projetos, como o documentário. Nele, Waters mostra a visita à tumba de seu avô, morto em combate em 1916 no norte da França, e homenageia seu pai, morto na Itália em 1943 durante a II Guerra Mundial. O corpo dele nunca foi encontrado.

Um dos momentos mais emocionantes do filme é quando a câmera captura as lágrimas do músico de 72 anos ao ler pela segunda vez a carta que o presidente da empresa de seu pai enviou à sua mãe para que não restasse dúvida de que o marido estava morto.

E não se sentiu vulnerável ao mostrar um momento tão íntimo? "Não, essa era a questão. Não se pode ser artista sem se expor", afirma.

Waters destaca a importância de seus pais na construção de sua visão de mundo. Deles herdou seu compromisso político, "o senso de justiça e do que é correto ou não, de acreditar na cooperação e em compartilhar as recordações com todos", assinala. "Por isso, acredito que é nosso dever acolher os refugiados que fogem da guerra no Oriente Médio e na África", destaca, e que "é preciso reparar o dano que se fez a toda essa gente roubada no passado".

Waters lamenta as imagens da cerca de arame farpado na Hungria, instalada para frear a chegada de imigrantes sírios, e se posiciona contra a construção de um muro entre os Estados Unidos e o México. "Isso revela o quão desorganizadas estão as instituições e como nossos políticos carecem de humanidade, que não entenderam nada sobre o que se passou nos últimos 200 anos".

É pelo valor que dá ao passado que Waters continua escrevendo "de vez em quando" suas memórias. "Já tenho algumas centenas de páginas, mas precisaria me sentar todos os dias durante uns seis meses para ter material publicável", afirma.

Além do musical que prepara para The Wall, do qual já havia falado em 2010, Waters trabalha em um novo álbum que servirá de base para apróxima turnê. "Tenho ideias para um novo show, mas não sei quando estarei pronto. Sei que ainda me resta uma turnê para fazer", afirma sem hesitar, antes de desligar o telefone ao ser perguntado se veremos algum dia a reunião do Pink Floyd. 

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