A-ha volta ao Brasil e ressuscita o synth-pop

Em 2000, após sete anos longe dofront musical, o trio norueguês A-ha começou a sentir falta dacorreria das fãs histérias e resolveu voltar à estrada. Com um faustoso convescote lá nos Champs-Elysées, emParis, festança para jornalistas do mundo todo, mostraram seunovo disco na ocasião (Minor Earth Major Sky, pela Warner) etentaram provar que a idade não os enferrujou para a glóriapop. Dois anos depois daquilo, eis que eles chegam ao Brasil,lugar de especial destaque em sua carreira. Tocam amanhã (14) equinta no Credicard Hall, sexta no ATL Hall no Rio de Janeiro edia 20 no Gigantinho em Porto Alegre. Aqui, em 1991, quandoestava no auge, o grupo bateu recorde de público e entrou para oGuinness Book, tocando para 198 mil pessoas. Magne Furuholmen (tecladista), Pal Waaktaar-Savoy(guitarrista) e Morten Harket (vocalista) trazem de novo asbaladas synth-pop bem redondas para seus fãs, que são muitos noBrasil, reabrindo a série Kaiser Music. Estão a milhas dedistância daquele ideário new wave do início da carreira, emOslo, e com um novo disco na bagagem, o segundo do retorno,Lifelines. No repertório, anunciam uma mistura dos grandessucessos populares (Take on Me, Cry Wolf, Hunting Highand Low e Stay on These Roads) e canções novas como YouWanted More e Forever not Yours. Impulsionados pelo falsetto do cantor Morten Harket(definido pela New Musical Express como um Fausto babyface),o grupo mostrou competência muito superior, por exemplo, às boysband que os sucederam nesse nicho do pop para meninas, gentecomo Backstreet Boys, ´N Sync, Boyzone, coisas desse tipo. Nosanos 80, chegaram a vender 36 milhões de discos e foramestudados por uma disciplina na Universidade de Santiago. A assessoria do grupo jura que eles estão na crista daonda de novo e informa que em Oslo, terra do trio, 23 milpessoas lotaram o estádio Ulleval no dia 10 para ver os novos eantigos sucessos do A-ha. De fato, entre este mês e outubro,eles estão com 32 concertos marcados e trabalhando a todo vapor.Vão tocar no Le Zénith de Paris, em outubro, e no Heineken MusicHall de Amsterdã, também no mesmo mês. O guitarrista Waaktaar-Savoy reivindica uma atuaçãopioneira e a posição de precursor do techno nos anos 80.Mas era um techno heróico, já que não dispúnhamos dos recursosde hoje. Muito do synth-pop dos anos 80 está ressurgindo com novaroupagem, estimulado pelo sucesso da música de clubes, dance etechno. É o caso do grupo Pet Shop Boys, por exemplo. Mas osradicais daquela geração pré-sintetizada foram Joy Division eNew Order. Ainda assim, A-ha mereceu seus louros da vitóriaefêmera. Seu comeback é uma tentativa de reviver algo que osquarentões já não lembram direito o que era. Serviço - A-ha. Quarta e quinta, às 21h30. De R$ 20,00 a R$ 12000. Credicard Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.955, São Paulo tel. 5643-2500 ou 6846-6000.

Agencia Estado,

13 de agosto de 2002 | 19h41

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