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A força do jazz brasileiro em disco de Dani e Debora Gurgel

Filha e mãe fazem show do álbum 'Um' no Sesc Pompeia

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2014 | 21h46

Se quisessem romancear a vida, Dani e Debora Gurgel, filha e mãe, poderiam dizer que a música que fazem é capaz de provocar um terremoto de 6,9 graus de intensidade na escala Richter. Foi assim em Tóquio, no Japão, quando estiveram por lá para lançar o álbum Um, que fizeram em quarteto - além da voz de Dani e o piano de Debora, estão a bateria de Thiago Rabello e o contrabaixo acústico de Sidiel Vieira. Dani era entrevistada pelo locutor quando Forró Brasil, de Hermeto Pascoal que elas regravaram, começou a tocar. Neste exato instante, Tóquio tremeu. Os músicos tentaram disfarçar o pânico no 12.º andar onde ficava o estúdio da emissora, mas o locutor percebeu: "É o primeiro terremoto de vocês?". E logo depois, se dirigindo aos ouvintes, continuou: "Ainda não temos informações sobre possíveis tsunamis. Vamos seguir com as convidadas...".

A boa notícia viria logo. Enquanto a terra dançava ao som de Hermeto Pascoal, os japoneses compravam o disco das Gurgel pela internet e esgotavam o estoque que a gravadora brasileira havia mandado para o Japão. "Os álbuns acabaram", anunciou o locutor. Só por hoje, às 21 h, o quarteto das Gurgel se apresenta no Sesc Pompeia.

O piano de Debora é refinado, pensa como um músico de jazz sem disfarçar o sotaque brasileiro. Ex-aluna do Clam, lendária escola de música do grupo de samba jazz dos anos 60 Zimbo Trio, ela recolocou a música em sua vida de professora de engenharia elétrica a partir de uma conversa com o pianista Amilton Godoy, então seu ex-mestre de piano. "Você nunca vai ser feliz enquanto não assumir a música que está aí dentro." Debora voltou a tocar como se desse vazão a uma represa abrindo uma torneira.

Dani, 28 anos, trabalha bem a voz. Não tenta malabarismos, não banaliza vibratos nem usa falsas empostações. Canta com cabeça de instrumentista, nota a nota, e em uma região que, mesmo curta, a deixa sempre à vontade. Fica tudo muito visível, o piano de mãos tranquilas de Debora e a voz suave de Dani, graças também à gravação no estúdio do baterista Thiago, produtor do álbum, que valorizou a linguagem jazzística, limpa e orgânica, de baixo e bateria.

A parte do repertório revisitado, além de Forró Brasil, de Hermeto, inclui Bala com Bala, de João Bosco e Aldir Blanc, e Rock With You, surpreendente no formato, gravada por Michael Jackson. Em Quiet Little Lady, de Debora, há memórias de Chick Corea. O também pianista norte-americano dava um workshop quando percebeu na sala uma aluna sempre muito quieta. Ao se deparar com o tema que ela havia feito, Das Américas, ele a batizou assim "a quiet little lady from Brazil who blew us away" (a mocinha quieta do Brasil que nos surpreendeu).

Dani sofre de uma hiperatividade artística que a faz, além de cantora, produtora de vídeo, fotógrafa e empreendedora de projetos. Um deles, o Música de Graça, está em busca de patrocínio para lançar sua terceira edição.

A ideia é juntar dois músicos para tocarem algo novo, fresco, que nunca foi gravado. Assim, consegue fazer em seu bem editado programa de internet musicadegraca.com.br) um voo sobre as cabeças mais interessantes da nova música brasileira, a nova mesmo, que está sendo feita neste momento.

As duas primeiras edições contaram com mais de 30 gravações, cerca de 90 artistas envolvidos, que renderam mais de 1 milhão de views.

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