A festa dos sem-guitarra

Era barbada. Nildo Ferreira de Brito tem o apelido certo: Blackmore, inspirado no guitarrista do Deep Purple, Ritchie Blackmore. Trabalha no endereço certo: é vendedor da loja de discos Animal Records, na Galeria do Rock, na Rua 24 de Maio. E além disso, aos 42 anos, o cabeludo conta também com o respaldo de 30 anos dedicados ao hard rock dos anos 70 e ao heavy metal dos 80.Não deu outra. Quando Blackmore subiu ao palco improvisado na futura sede do Sesc 24 de Maio, na noite de segunda, para participar do primeiro evento brasileiro de Air Guitar - em que os inscritos simulam solos e acordes em uma guitarra imaginária, invisível -, ficou até chato para os outros candidatos. Mostrando intimidade com todas as notas, intervalos e variações da música Catch Your Train, dos Scorpions, o roqueiro deu um show em uma das modalidades de performance mais bizarras que o mundo do rock-and-roll já registrou.Dono da noite, o vendedor de discos explicou que "toca" guitarra imaginária desde 1977. "Eu e alguns amigos nos reunimos naquele ano para assistir a um programa sobre o Deep Purple e fiquei impressionado com a performance do Blackmore. Depois daquele dia, comecei a imitá-lo direitinho sempre que tocava alguma música do Deep Purple nos bailes de rock. Por isso, ganhei o apelido."O Air Guitar Festival atraiu cerca de 150 pessoas e 12 inscritos em sua primeira noite e teve apresentação do VJ e músico Thunderbird. Hoje à noite, será realizada a última etapa do evento - que faz parte da mostra Ares e Pensares, promovida pelo Sesc.Em princípio, o festival não teria caráter competitivo mas, diante da gritante "superioridade técnica" de Blackmore, Thunderbird tomou a liberdade de eleger o fã de Deep Purple vencedor da noite. "A idéia não era promover uma competição e sim estimular a prática do air guitar", disse Oswaldo Almeida, um dos organizadores do evento.

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