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A escalada fulminante da banda Awolnation

Fenômeno com um hit de internet, ‘Sail’, a banda de Los Angeles é uma grata revelação e toca no São Paulo Mix Festival

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2014 | 19h41


Awol é uma gíria que significa “ausente mesmo sem ter saído”. A nação dos ausentes, mesmo sem jamais ter se ausentado, cresceu barbaramente com a ascensão do grupo indie norte-americano Awolnation ao posto de hype da temporada.

Com um único disco, e independente, Megalithic Symphony, a banda de Aaron Bruno (compositor, vocalista) saiu do anonimato direto para os programas de TV (como o Late Night, de Jimmy Fallon, e o Jimmy Kimmel Live), invadiu os festivais de rock e ajudou seu líder a mudar para uma casa chique em Malibu, uma área de estrelas de Los Angeles. Hoje, o quarteto desembarca aqui pela primeira vez para a 12.ª edição do São Paulo Mix Festival, na Arena Anhembi.

Awolnation se tornou planetário em 2011, quando lançou o single Sail (sucesso absurdo, com sua abertura sinfônica e explosão de heavy metal no início). A canção ficou 79 semanas na lista US Hot 100, o segundo mais longo período de uma música nesse ranking.

Ontem, debaixo de um fenômeno raro em São Paulo, a chuva, Aaron Bruno, o cérebro do Awolnation, falou ao Estado. “Não tenho uma gravadora, não tenho ninguém me dizendo o que fazer. Produzo e gravo por mim mesmo. Tive a bênção que meus vídeos tenham chegado a tantas partes do mundo, ao Brasil, à África do Sul, a meia Europa, e que eu seja convidado para tocar nesses lugares. Todo dia quando acordo, me sinto como um abençoado, ainda parece um sonho”, disse Bruno.

Ele contou que, quando tinha 14, 15 anos, uma de suas bandas favoritas era do Brasil. “Eu adorava o Sepultura. Tinha aquele disco Chaos A.D., que ouvia muito, e depois o Roots. Toda vez que penso no Brasil, vêm à mente as mulheres bonitas, as praias e o Sepultura. Iggor e Max Cavalera são músicos muito talentosos”, afirmou o cantor.

Sua música é híbrida, muitas vezes parece ter maior parentesco com o rock pesado, muitas vezes é pop, dance. Com quem ele fica mais à vontade? “É uma boa questão. Eu costumava ficar mais à vontade entre os grupos de rock mais pesados, mas não somos uma típica banda de rock, então rolava um estranhamento. Dependendo de quem abria o show, tinha um atrito. Agora, onde quer que toquemos, a gente se contenta em sermos azarões, underdogs. Acho que é o mais adequado. Só me sinto desconfortável tocando algo que não me representa”, disse.

Uma das primeiras influências mencionadas quando se escreve sobre o Awolnation era a admiração que Aaron Bruno tinha pelo Nirvana. “Acho que, vendo Kurt Cobain tocar guitarra, tocando aquelas canções simples, as melodias simples, eu me dei conta: também posso tocar. Era uma época de virtuoses, Slash e os outros caras, e Kurt colocava tudo em termos simples, as letras, as mensagens. O Nirvana falava aquilo que eu e meus amigos compreendíamos”, explica.

O nome da banda, ele diz, serve mais como uma metáfora e ele faz questão de esclarecer seu sentido, para que não adquira uma conotação negativa. “As pessoas tendem a seguir duramente um só estilo, um só gênero. Nós podemos tocar heavy metal, pop, hip-hop. Então, nossa música é um convite para que se toque qualquer tipo de música”, explica. “Liricamente, tenho muito a dizer. Falo sempre por metáforas, alguns as entendem, outros não.”

Bruno chegou antes a São Paulo para participar de um ensaio no Red Bull Studios, além da gravação de um documentário sobre seu grupo. Ele já integrou outros grupos, como Under the Influence of Giants, Hometown Hero e Insurgence. 

SÃO PAULO MIX FESTIVAL

Arena Anhembi. Avenida Prof. Olavo Fontoura, 1.209, Santana.

Tel. 2027-0777. Sáb. (27), a partir das 12 h. R$ 60/R$ 200.

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