A cruzada de Sting, um cavalheiro do pop rock, chega ao País

Em entrevista, cantor diz que The Police não volta mais e que Copenhague foi sabotada pela política

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2009 | 04h00

'Vamos tocar rock, pinçando hits de minha carreira e com o Police', diz. Foto: Reuters/Lucas Jackson

 

 

SÃO PAULO - O britânico Gordon Matthew Thomas Sumner, de 58 anos, é um homem nobre. Quando estava no auge como integrante da banda de rock The Police, sob o codinome de Sting, ganhando rios de dinheiro e enlouquecendo paparazzi, largou tudo para viver uma vida quase monástica, familiar, anti-headlines. Dali em diante, viabilizou uma vigorosa carreira-solo, fazendo discos onde lançava mão de elementos de jazz, música erudita e worldbeat.

 

Sting nasceu em 2 de outubro de 1951 em Wallsend, Inglaterra. À frente da Rainforest Foundation, organização que defende há 20 anos os povos indígenas e as florestas onde eles vivem, esteve muitas vezes no Brasil e confraternizou com o midiático cacique Raoni - tantas que os humoristas acabaram por enquadrá-lo no rótulo de "ecochato".

 

Em 2007, Sting reuniu o Police de novo e organizou uma turnê mundial de 54 shows. Tocaram para um Maracanã cheio. No final, faturaram nada desprezíveis US$ 132 milhões.

 

Sting é um homem que, tornado rico pela via da música, pode se dar ao luxo de dedicar-se a projetos anticomerciais. É o caso de seu novo álbum, If on a Winter’s Night (Deutsche Gramophone/Universal Music), no qual interpreta canções de Franz Schubert, Bach, Henry Purcell, acompanhado por vezes de um conjunto de câmara (o percussionista brasileiro Cyro Baptista toca no álbum). Sting conversou com o Estado por telefone, de Paris, há uma semana.

 

Como está o dia em Paris?

Começando a esfriar. O vento já é frio. Uma atmosfera que lembra a do meu disco...

 

Justamente. O seu disco, If on a Winter’s Night, trata de um tema largamente explorado por poetas e romancistas.

Sim, é um tema que evoca uma imagérie muito rica. Mas, como eu digo, os invernos de hoje não são nem de longe frios como os da minha infância. A neve agora é rara, as estações são mais curtas devido ao aquecimento global. Mesmo onde eu vivo, na região italiana da Toscana, nas montanhas, a neve hoje em dia é mais rara e está apenas nos picos das montanhas.

 

Você pretende tocar algo desse disco aqui?

Não. Vou tocar com minha banda de rock, um quarteto barulhento. Vamos tocar rock, pinçando alguns hits de minha carreira e com o Police.

 

Madonna esteve aqui na semana passada para arrecadar fundos para um projeto social e quem sabe abrir outro projeto aqui. Acha uma boa ideia da Madonna?

Não posso comentar sobre as ações de Madonna, não seria conveniente. Mas o que posso dizer é que ainda estou envolvido com o projeto Rainforest, e acredito que aquilo que parecia tão utópico há algumas décadas hoje é visto como uma atitude absolutamente prática e necessária. Atuamos em 18 países em três continentes e ajudamos a proteger 115 mil Km² de florestas. Muita gente ironizava a ação ambientalista há algum tempo, e hoje é obrigada a reconhecer que perdeu muito tempo em não se engajar e participar ativamente da luta contra a destruição do meio ambiente.

 

Bom, hoje mesmo a notícia nos principais jornais é que os Estados Unidos não vão assinar acordo ambiental nenhum em Copenhague. Como vê essa notícia?

Não sei, pergunte aos políticos. Eles é que devem ser pressionados. A razão disso é que os políticos só pensam em solução a curto prazo. Gosto de ser otimista, mas tenho de ser realista: os políticos não têm o hábito de pensar em termos de longo prazo, e por isso sabotaram Copenhague. As pessoas normais, como eu e você, é que têm de começar a agir para mudar as coisas, seja pressionando os políticos, seja atuando em grupos, coletivamente, para mudar as coisas.

 

Você apoiou o presidente Barack Obama, mas ele também parece estar se esquivando de dar uma resposta às demandas ambientais...

Eu creio que ele está fazendo o melhor no momento. Também continuo achando que é um bom homem, com bons princípios. Mas não pode ser deixado sozinho, tem de ter apoio, porque enfrenta grande oposição de grandes grupos e interesses. Mas está fazendo o trabalho que pode, da melhor maneira possível.

 

Estive em Nova York no mês passado e vi o seu show com Jeff Beck no Madison Square Garden. Como surgiu o convite?

Jeff é um velho amigo meu. Acho que é o melhor guitarrista que já vi em ação. Eu cantei com ele People Get Ready, nunca tinha cantado aquilo. Foi uma grande diversão, um encontro de velhos amigos. No dia anterior, eu já tinha cantado lá com Stevie Wonder. Cantamos Roxanne. Uma honra dividir o palco com eles.

 

Não pude deixar de notar que sua voz está em grande forma aos 58 anos...

(Risos) Mas é esse o meu trabalho, não? Tentar melhorar a cada momento. Minha voz está um pouco mais fraca do que quando eu tinha 20 anos, é claro, mas por outro lado oferece um leque maior de possibilidades, tanto técnica quando emocionalmente. Há algumas vantagens em envelhecer.

 

A turnê do Police foi um grande sucesso, a maior turnê de 2007. Alguma chance de vocês repetirem aquilo?

Não tenho nenhum plano de reunir o Police de novo. Aquela jornada se completou. Não tenho intenção de sucumbir à nostalgia. Foi um show de muito sucesso, a maior turnê de todas. Nós ganhamos dinheiro, nós nos divertimos. Mas não preciso fazer aquilo de novo.

 

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