7.º Festival Amazonas de Ópera começa hoje

A produção do drama lírico Siegfried, terceira parte da tetralogia O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, abre hoje à noite a sétima edição do Festival Amazonas de Ópera. Ao longo de cerca de um mês, o evento terá ainda outras três montagens, além de recitais e concertos sinfônicos. Assim como nos outros anos, a ênfase divide-se entre a escolha de títulos pouco conhecidos e montados no Brasil - como o musical Magdalena, de Villa-Lobos, inédito no País - e a preferência dada a cantores brasileiros na composição dos elencos. Mas, em seu sétimo ano, o FAO traz novidades, primeiros passos em direção a uma reformulação do esquema de produção pretendida pelo novo governo do Amazonas.A montagem de Siegfried é encabeçada pela dupla Aidan Lang e Luiz Fernando Malheiro, diretor do Teatro Amazonas e do festival. O diretor inglês e o maestro paulistano têm trabalhado juntos desde 2001, quando montaram Manon, de Massenet. No ano passado, iniciaram a tetralogia wagneriana com A Valquíria, de concepção simples, mas bastante efetiva ao retratar as nuances e possibilidades de interpretação do grandioso drama wagneriano. E, ao que parece, a fórmula será mantida, uma fórmula que, segundo Malheiro e Lang já afirmaram, procura respeitar o texto e a música antes de tudo, tirando deles todos os elementos que compõem a interpretação."No ano passado, estávamos penetrando em território desconhecido, nos aproximando da partitura antes de tudo com respeito e até uma certa desconfiança. Agora, a nossa confiança é maior, estamos felizes só de ver que conseguimos, aqui no Brasil, levar um projeto como o do Anel adiante. Mas Siegfried é uma ópera muito mais enrolada, mais difícil de incorporar, refinada, elaborada, não tem facilidades", diz Malheiro, que se garante surpreso com a boa recepção gerada pela Valquíria. "Decidir montar pela primeira vez o Anel inteiro com infra-estrutura nacional foi um risco mas, como sempre, o público aqui de Manaus me surpreendeu."Ainda em abril, o festival terá duas outras atrações. Amanhã, a soprano Rosana Lamosa e o pianista Marcelo Bratke interpretam o espetáculo Canções de Amor, que reúne peças escritas pelo compositor amazonense Claudio Santoro a partir de textos de Vinícius de Moraes. As canções, na verdade, fazem parte do repertório do disco gravado recentemente pelos artistas para o selo Olympia, que deve lançá-lo ainda no primeiro semestre.E, no sábado, estréia Magdalena, um dos grandes atrativos do festival deste ano. É a primeira vez que a obra, escrita nos Estados Unidos e estreada em Los Angeles e na Broadway, será apresentada no Brasil. Trata-se de uma colagem de temas do compositor, uma espécie de síntese de sua produção, ambientada em meio à floresta colombiana, onde a índia María defende-se e à sua tribo da dominação de um senhor de terras espanhol.Leia mais.O repórter viajou a convite da organização do festival.

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