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50 Cent está animado para voltar ao Brasil

Astro do hip hop faz turnê pelo País e fala de crise no gênero, marketing, gangsta e sua nova faceta benemerente

03 Julho 2010 | 06h00

Jotabê Medeiros

SÃO PAULO -  50 Cent está animado. Até postou uma mensagem no seu twitter comemorando a volta ao Brasil. "Brazil estou a chegar!!! No mes de julho estou na voca cidade!", diz o texto (sic, sic, sic), que também traz um link de áudio com a voz entusiasmada do rapper.

 

Expoente daquilo que se convencionou chamar "gangsta rap" nos anos 1990, 50 Cent diz que lamenta não ter tido tempo de interagir com os brasileiros da última vez que esteve aqui, em 2004 (tocou no Estádio do Pacaembu), e quer melhorar essa imagem. Tem bastante tempo agora: vai passar por Salvador (dia 9, no Wet n’ Wild), Goiânia (dia 10, na Fasam), São Paulo (dia 15, no Via Funchal), Belo Horizonte (dia 16, no Mineirinho), Rio (Marina da Glória, dia 17) e Florianópolis (dia 18, Passarela Nego Querido).

 

O rapper conversou brevemente com o Estado na semana passada para falar da turnê de promoção do disco Before I Self Destruct (2009), no qual ele voltou a fazer músicas ao estilo "nitroglicerina pura" que o consagrou (canções ao estilo Death to My Enemies, cujo nome diz tudo). Disse que não está vendo a Copa do Mundo de futebol, mas, do que viu, acha que o time americano fez um bom papel.

 

O artista está afável, tranquilo, paciente. E interagindo mais com seu público, em vez de ficar numa redoma cercada de seguranças, como foi na sua última passagem no Brasil. Há indicadores dessa mudança. Outro dia, durante um show na Filadélfia, 50 Cent içou um garoto da plateia para cantar consigo, e o rapaz ficou muito tempo no palco. Isso acontece sempre? "Não. Eu estava vendo aquele garoto ali na frente e ele sabia todas as letras, entrava na hora certa, tinha atitude e estilo. Eu não tive dúvida: trouxe ele para o palco e o garoto não decepcionou. Eu não tinha feito isso antes, foi uma coisa que me ocorreu na hora. Não sei se repetiria no Brasil, mas pode acontecer", contou.

 

Segundo 50 Cent, a queda em 20% das vendas de discos de hip hop no ano passado não se deve a uma crise intrínseca do gênero, mas a diversos fatores. "Para mim, o que parece mais evidente é que a mudança tecnológica alterou consideravelmente o cenário. Os garotos que querem ouvir sua música baixam diretamente da internet. E as empresas que tinham dados confiáveis sobre o mercado hoje não conseguem medir o tamanho desse negócio. A segunda coisa é que o hip hop hoje enfrenta outros gêneros populares, e o crescimento do R&B, da música latina, tudo isso contribuiu para reduzir o espaço. Mas o hip hop continua forte e influente, e representando o discurso da juventude", afirmou.

 

50 Cent é o codinome de Curtis Jackson 3.º, um norte-americano do subúrbio de Jamaica Queens, em Nova York, cuja adolescência foi das mais problemáticas. Chegou a ser traficante de crack e cocaína, foi preso algumas vezes e levou nove tiros em determinada oportunidade, sobrevivendo por milagre. "Depois daquilo, não fiquei mais espiritualista nem nada disso. Eu me sinto apenas como se tivesse uma razão a mais para viver. Sinto algo mais positivo em viver", disse. Sua música sempre foi marcada por esse testemunho de violência e superação. E por "tretas" públicas com astros concorrentes, como The Game, Ja Rule e Fat Joe.

 

Mas, há alguns anos, Fifty subitamente mudou o discurso, começou a ficar mais pop e deglutível. O disco Curtis (2007) foi o ponto mais alto dessa transformação. Ele virou um businessman de sucesso, com negócios fashion na grife G-Unit e jogadas imobiliárias. "Eu me deixei levar pelas exigências de marketing, a exigência de ser mais e mais popular, e isso não me fez bem. Voltar a trabalhar com Dr. Dre e Eminem no último disco marcou um retorno à minha principal forma de fazer arte, que é transmitir a minha experiência por meio da minha música. Esse novo disco é um retorno ao 50 Cent original."

 

De fato, Before I Self Destruct é mais sombrio e violento, e não alivia muito em seus temas. Fala até em "delícia de gangsta" (Gangsta’s Delight). Mas o rap de playboy ainda dá a tônica, com facilidades como Baby By Me (no qual divide os vocais com Neyo). Há também hits de rádio muito calculadinhos, como Bitch, remix dividido com Too Short.

 

A combinação de estratégias trouxe 50 Cent de volta às paradas - certamente, nunca mais para ocupar um posto semelhante ao que teve quando lançou o primeiro álbum, Get Rich or Die Tryin’ (Fique Rico ou Morra Tentando), que vendeu mais de 10 milhões de exemplares. Aquele feito o levou a ser eleito, na época, um dos dez artistas mais importantes dos Estados Unidos. Até o desenho animado Os Simpsons produziu um episódio especial com o rapper como convidado.

 

50 Cent "amoleceu" de um jeito amistoso nos últimos tempos. Há dois anos, criou em sua terra natal, Jamaica Queens, um festival chamado Forever Young, no qual ele e chapas como Tony Yayo e Lloyd Banks confraternizam com as crianças do bairro. Resta saber qual desses 50 Cents virá ao País - os últimos shows por aqui dele e de astros como Snoop Dog foram problemáticos: grandes atrasos, displicência, play-backs. In da house, Fifty precisa detonar.

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