Alaor Filho|Estadão
Alaor Filho|Estadão

30 anos de 'Caderno 2': País entrou na rota dos shows internacionais

Até o início dos anos 1980, o Brasil estava longe das agendas dos grandes artistas da música mundial; a mudança veio na segunda metade da década

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2016 | 03h00

A imagem de 175 mil pessoas diante de si, em um Maracanã mais do que lotado, ficou gravada na memória de Frank Sinatra. Era dezembro de 1980, início da década que daria o pontapé para o que se vive nos anos 2010 - a maratona de shows internacionais a esvaziar as lágrimas (e as carteiras) dos fãs. E encher páginas e mais páginas de jornal - com entrevistas, análises e críticas, é claro. 

Roberto Medina, o empresário responsável por trazer o dono d’A Voz, foi também aquele que idealizou o primeiro Rock in Rio, em 1985, que tinha mais rock no nome do que no seu conteúdo, e reuniu nomões como Queen, Iron Maiden, James Taylor, Rod Stewart, AC/DC e Ozzy Osbourne, em dez dias de apresentações. Era um ano de abertura política. E se tornou um marco por fazer com que os carimbos de entrada no Brasil começassem a deixar de ser raridade entre os maiorais. 

Não é difícil afirmar que nada mudou tanto nos últimos 30 anos dentro desse universo cultural quanto a chegada de artistas internacionais ao País. Até mesmo a conectividade da web, computadores e smartphones, que reverberaram todos os outros lados da cultura, atingiram o mercado internacional de shows para ficar. Desde o festival de telas de celulares levantadas para o alto nos estádios pelo País, na tentativa de registrar vídeos toscos, até na capacidade de descobrir novas bandas, gêneros e compartilhá-los com quem quisesse. Tudo se amplia.

Anos 1990. A década seguinte foi do descobrimento: como e o que fazer. Michael Jackson trouxe um espetáculo gigantesco para o Morumbi, em outubro de 1993, mas não havia estrutura de som para que ele fosse ouvido por todo o estádio. Perrengues, em escalas maiores e menores, passaram aqueles que vieram antes dele naquela década, como Bob Dylan, David Bowie, Faith No More, Nirvana, Guns N’ Roses e Black Sabbath. 

Vieram nomes que só figuravam nos sonhos dos jovens apreciadores de música - e preenchiam a grade da MTV, cuja função na época era realmente mostrar o fino do que acontecia lá fora. Eles vieram, mostraram ser de carne e osso, em um movimento sem volta, que o digam os recheados anos 2000. 

O Rock in Rio, depois de décadas longe das terras cariocas, retornou em 2011 e se estabeleceu como um evento grandioso e bienal, com capacidade de levar 100 mil pessoas confortavelmente ao Rio. Outros festivais vieram, como os finados Hollywood Rock, que marcou época nos anos 1990, e Planeta Terra. Se muitos morreram, RiR e a versão tupiniquim do Lollapalooza estão cheios de gás - e ainda há espaço para minifestivais, como o Popload e o Balaclava. 

Em 2016, a realidade já é outra. Metallica, Iron Maiden e Guns N’ Roses devem possuir passaporte brasileiro. É possível assistir a uma banda gigantesca como Coldplay (que toca nesta quinta, 7, no Allianz) e, no dia seguinte, curtir a esquisitice indie de Jerry Paper (sexta, 8, no Sesc Pompeia). O País, mesmo em crise (financeira e política), mantém estádios e ginásios cheios. Gritos contra esse ou aquele partido político, atualmente, geram vivas e vaias antes dos shows, mas, quando a guitarra soa pela primeira vez, eles ainda são trocados por versos cantados a todos os pulmões. A música vive acima disso tudo. 

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