2Cellos volta ao Brasil com sua fórmula de transformar o pop e o rock em erudito

2Cellos volta ao Brasil com sua fórmula de transformar o pop e o rock em erudito

Dupla formada por dois amigos e rivais ganhou fama ao criar versões para músicas de Michael Jackson

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 04h00

É curioso que qualquer um que assista a uma apresentação de Luka Šulicć e Stjepan Hauser, dupla de violoncelistas que voltará ao Brasil pela terceira vez em setembro e outubro deste ano, pode não perceber uma faísca de rivalidade entre os jovens músicos no palco. Mas, desde a adolescência, a amizade entre os rapazes sempre foi temperada pela ambição de superar o outro – mesmo quando eles andam em uma mesma direção, como é o caso desde que formaram o 2Cellos, em 2011.

“Essa rivalidade era engraçada quando éramos adolescentes. Porque éramos amigos fora das competições, mas nós queríamos ganhar. Havia sempre uma tensão entre nós. Acho que isso funciona como o combustível para o que fazemos hoje. E torna tudo ainda mais divertido”, explica Hauser, ao telefone, dois anos mais velho do que Šulic, e costumeiramente responsável pelos solos e riffs das músicas mais roqueiras. 

Para entender o sucesso que o 2Cellos faz no mundo pop é preciso voltar até 2011. Foi neste ano que um vídeo de dois músicos croatas recriando o clássico Smooth Criminal, de Michael Jackson, no violoncelo, se tornou viral. Não se tratava de uma versão cristalina e limpa, contudo. Eles balançavam as cabeças para frente e para trás, como bons headbangers amantes de heavy metal, e esmurram os instrumentos com seus arcos e comprometem alguns fios da crina no percurso. O vídeo foi assistido 13 milhões de vezes e levou os dois amigos do anonimato a gravadora Sony Music. 

“A internet foi nossa aliada para chegarmos onde nunca imaginávamos. Como o Brasil, por exemplo, que nos receberá pela terceira vez. Desta vez em uma turnê”, celebra Hauser. Ele e o companheiro chegarão ao País no fim de setembro, no dia 26, no Espaço das Américas. Eles ainda passam por Brasília (dia 27 de setembro, no Net Live Brasília), Porto Alegre (1º de outubro, no Auditório Araújo Viana), Rio de Janeiro (3 de outubro, no Teatro Municipal).

A julgar pela bem-sucedida recente passagem do violinista David Garrett, que lotou casas de shows brasileiras, os amigos croatas terão sucesso garantido. A fórmula, se é que pode-se dizer isso, é a mesma: promover uma leitura erudita para canções icônicas do pop rock. Šulicć e Hauser, embora não tenham o jeitão de galã de Garrett, mostram disposição ao buscar adaptar linhas mais viscerais de guitarra, sejam elas contemporâneas, sejam clássicas. 

Como dupla, eles lançaram em 2015 o terceiro álbum de estúdio, cujo nome pode não ser dos melhores (Celloverse), mas entregam o melhor dos trabalhos deles de estúdio até aqui. Šulic e Hauser vão de Iron Maiden a Mumford and Sons, de AC/DC a Muse, de Paul McCartney a Radiohead. 

Para entender a forma de gravar do grupo, a escolhida para abrir o disco, The Trooper, do Iron Maiden, é introduzida pelo famoso trecho de abertura da ópera Guilherme Tell, do italiano Gioachino Rossini. “Gosto de dizer que a nossa missão, na música, é tentar mostrar para as pessoas de que não existem gêneros musicais”, explica Hauser. “Todos os tipos de música têm algo em comum, entende? Não há motivo para criar barreiras e dizer que não vai escutar isso ou aquilo. O que importa é a emoção que se transmite através do instrumento. É nisso que acreditamos”, explica Hauser. “Adoro a energia do rock and roll. E, no fim, o que gostamos de passar é essa energia. É incrível sentir a adrenalina. Fazemos discos de rock hoje. Somos jovens e isso faz todo o sentido.” 

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