2007: um ano de bons lançamentos da música brasileira

Conheça os maiores destaques da musica popular brasileira

Pedro Henrique França, da Agência Estado,

19 de dezembro de 2007 | 16h26

O ano de 2007 foi especialmente interessante para a música popular brasileira. Nomes de cantores que, até então, eram promessas, se consolidaram no cenário musical nacional. Foi o que aconteceu com Roberta Sá e Fabiana Cozza. Ambas lançaram o segundo disco e confirmaram o talento.   O samba, por sua vez, voltou com tudo e caiu nas graças do povo. Até Maria Rita se rendeu ao estilo e registrou um bom disco.   Chamou atenção ainda a Orquestra Imperial, que, apesar de ter cinco anos de carreira, lançou o primeiro álbum somente em 2007.   Nem tão conhecida em seu próprio país, a jazzista Luciana Souza agradou mais uma vez com seu New Bossa Nova.   O ano bem-sucedido para a MPB terminou com agradáveis surpresas, como o novo CD de Siba e Arnaldo Antunes. Trouxe também uma nova Fernanda Takai (Pato Fu) recheada de candura para interpretar canções que foram sucesso na voz de Nara Leão. Uma das mais recentes hitmakers, Vanessa da Mata reforçou seu potencial com seu terceiro disco Sim, que ficou marcado por uma das músicas mais tocadas do ano: Boa Sorte/Good Luck, com participação do músico americano Ben Harper.   A Agência Estado separou estes destaques para uma breve avaliação. Confira:   Roberta Sá (Que belo estranho dia pra se ter alegria): A cantora potiguar que se lançou no mercado com No Braseiro, em 2004, já tinha chamado atenção de público e crítica. Mas com o segundo disco, feito apenas três anos depois, Roberta Sá mostrou maturidade e talento ao explorar ainda mais o samba, com belas composições de, entre outros, Roque Ferreira, Junio Barreto e Moreno Veloso, escudada por uma voz incrivelmente afinada.                   Fabiana Cozza (Quando o céu clarear): Essa paulistana que despontou no Ó do Borogodó veio bem acompanhada em seu segundo disco. Trouxe a dama Dona Ivone Lara para interpretar com ela a canção Doces Recordações e os cubanos Yaniel Matos e Julio Padrón, em Agradecer e Abraçar. Bons sambas também são Incensa, de Roque Ferreira, que comparece ainda com a faixa-título.                       Maria Rita (Samba Meu): Depois de dois discos mais voltados à MPB, Maria Rita deu de ombros para o status de "diva intocável", se apaixonou pelo samba, pegou sua bagagem e se mudou para o Rio de Janeiro. Mais leve e descontraída, ela pediu, humildemente, passagem com a faixa-título Samba Meu, de Rodrigo Bittencourt, e trouxe um disco acertado. Entre os destaques, a composição de Gonzaguinha (O Homem Falou) e a sensual Tá Perdoado, de Arlindo Cruz.                   Orquestra Imperial (Carnaval Só Ano que Vem): A despojada big band carioca, enfim, registrou seu primeiro disco. Com cinco anos de carreira, somente em 2007 os brasileiros puderam conhecer mais o grupo, que conta com duas belas vocalistas - Nina Becker e Thalma de Freitas - e músicos muito competentes. Dentre eles, Wilson das Neves, Kassin e Domenico Lancellotti. Destaque para a divertida gafieira Ereção e a tropicalista Supermercado do Amor.                   Luciana Souza (New Bossa Nova). Luciana Souza é, como Bebel Gilberto e Cibelle, dessas cantoras que fazem mais sucesso lá fora do que em seu próprio país. Já foi indicada ao Grammy, ganhou importantes prêmios e agradou novamente com seu disco New Bossa Nova, onde fez leitura minimalista de belas canções em ritmo de bossa nova. Corajosa, regravou o clássico de Tom Jobim, Águas de Março, em inglês (Water of March). E emocionou com Never Die Young, com participação de James Taylor. Uma pena que os brasileiros ainda conheçam pouco dessa talentosa cantora.                 Siba (Toda Vez que Eu dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar): Em seu segundo disco com a banda Fuloresta, o cantor, compositor e instrumentista pernambucano Siba avançou e mandou bem ao dosar a tradição da Zona da Mata com aspectos da cidade grande - fruto de seu tempo com o Mestre Ambrósio. O álbum teve fina companhia da paulistana Céu, de Beto Vilares, Lúcio Maia (Nação Zumbi) e Fernando Catatau (Cidadão Instigado), além de um belo encarte, presente dos grafiteiros paulistanos Os Gêmeos. Com maracatu, coco, baião, samba e frevo, Siba trouxe um disco que é pura poesia harmônica e popular.               Arnaldo Antunes (Ao Vivo no Estúdio): Poucos alcançam a proeza de fazer um disco ao vivo e ainda assim se destacar. Mas Arnaldo Antunes conseguiu. Com "Ao Vivo no Estúdio" ele resgatou canções de Qualquer (2006) e incluiu outras mais antigas do repertório, como Não Vou me Adaptar, Eu Não Sou da Sua Rua e a fase tribalista com Marisa Monte e Carlinhos Brown. É verdade que o registro visual ficou mais interessante, pelo recurso expressionista alemão, gravado em preto e branco, mas o CD é digno de menção honrosa.                  Fernanda Takai (Onde Brilhem os Olhos Seus): A vocalista do Pato Fu silenciou aqueles que desdenhavam seu conteúdo pop com a banda mineira. Em disco-solo, ela homenageia uma das cantoras ícones da bossa-nova, Nara Leão, e traz a similar candura para canções como Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos, Lindonéia, Insensatez e Diz que Fui por Aí. Belo projeto, idealizado por Nelson Motta.                     Vanessa da Mata ("Sim"): O melhor álbum pop do ano. A mato-grossense Vanessa da Mata se cercou de ótimos músicos e trouxe para o terceiro disco, mais uma vez - a exemplo do hit "Ai, Ai, Ai", de seu segundo CD - uma das músicas mais tocadas do ano nas rádios dos mais diversos públicos. "Boa Sorte/Good Luck" contou com refinada participação especial de Ben Harper e conquistou o País, com uma letra romântica e descompromissada. Deve continuar o sucesso, sendo hit deste verão.

Tudo o que sabemos sobre:
MPB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.