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Juliana Azevedo
Juliana Azevedo

Ver ou não ver

Sendo tempos de negacionismo, tempos de polarização, o que acontece nestes momentos é que cada um segura sua “verdade” com firmeza

Alice Ferraz, Moda

16 de maio de 2021 | 15h00

Em 2021, por causa da pandemia, novas palavras passaram a fazer parte do nosso vocabulário diário. Ouvimos um sem-fim de vezes as palavras negacionismo, negacionista, negação. Não me lembro de ter tido antes disso a noção exata do impacto que tal atitude podia ter em nossas vidas. 

Nesse espaço-tempo em que vivemos, o negacionismo está ligado a como pessoas ou grupos negaram e negam a existência e seriedade da covid-19, prejudicando quem consegue enxergar o que realmente está acontecendo. Mas o negacionismo, apesar de muito atual, não é algo novo no comportamento humano – talvez seja, infelizmente, um clássico. 

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Como contei aqui algumas vezes, sou casada com um judeu e fui muito próxima dos avós dele, imigrantes da Inglaterra e Alsácia (hoje França). Quando perguntei por que decidiram vir para o Brasil, sem serem fugitivos de seus países, que logo mais viveriam o horror nazista, me disseram que seus pais “enxergaram” que deveriam partir. Na época, lembro-me de começar a entender o que seria “não negar” um fato, ou melhor, encará-lo, por mais doloroso que seja e, assim, conseguir agir no tempo certo para tomar a atitude que possa até nos salvar a vida. 

Sendo tempos de negacionismo, tempos de polarização, o que acontece nestes momentos é que cada um segura sua “verdade” com firmeza. Quem está em negação, normalmente, mesmo depois do fato comprovado, tristemente não muda de opinião, não entende que poderia ter “enxergado” e tomado outra atitude. 

Lendo durante a semana passada a excelente e verídica história da escritora Edith Eva Eger, em A Bailarina de Auschwitz, me deparei com a imensa coragem de uma mulher que, tendo vivido o inferno deste campo de concentração, é clara, aberta e destemida ao admitir que sua família inteira vivia em negação e explica como esta atitude foi usada como proteção. Sem prestarmos atenção real e profundamente, podemos conviver com tudo, por mais absurdo que seja, seguindo a vida.

Se estamos em negação, podemos nos esconder para não notar atitudes irresponsáveis de parceiros profissionais, a falta de empatia do marido, a falta de cuidado de um filho e as mentiras e atrocidades de líderes e de uma nação. Mas a verdade é que a negação pode até confortar durante um tempo curto, mas cobra um preço alto demais a médio prazo. 

Colocar a verdade em primeiro plano, por maior que seja a dor e desconforto que possa trazer, tem um poder avassalador de reconstrução, seja para implodir relações e dar espaço a outras ou para dar uma nova oportunidade ao parceiro profissional, ao filho, ao marido e à própria vida. 

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