Henrique Gender e Guilherme Nabhan
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Upcycling: A lei do retorno

Em um momento em que repensamos nosso papel como sociedade, movimentos como o upcycling, que estimula a reutilização de roupas de forma inovadora, ganham novo sentido no mundo da moda

Marilia Neustein, Moda

25 de abril de 2020 | 16h00

A sustentabilidade e a consciência sobre o consumo estão há algum tempo rondando nossos ouvidos e também nossos guarda-roupas. O que ninguém esperava é que surgiria uma pandemia forçando nosso isolamento e a reflexão sobre o comportamento da sociedade de forma nova e emergencial. Nesse contexto, o upcycling ganha ainda mais força não apenas na moda, mas também como lifestyle. O mundo vai mudar, o consumo também e a moda faz parte disso. 

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Capa: #modadobem

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Para quem não está familiarizado com o termo, o movimento de upcycling surgiu inicialmente nos anos 1990, na esteira das primeiras discussões sobre o slow-fashion.  A partir dos anos 2000, com pautas ambientais e o tema da sustentabilidade ganhando cada vez maior repercussão, tornou-se familiar ao universo mainstream.

“Upcycling é uma maneira de processar um item para torná-lo melhor ou diferente do que o original. É reutilizar algo antigo de forma inovadora. A indústria da moda é notória por seu enorme problema de resíduos; o grande negócio é frequentemente chamado por ser um dos maiores poluidores do mundo”, explica o estilista Marcelo Sommer, adepto da prática.

Para a expert em sustentabilidade Giovanna Nader, ainda existe preconceito com o termo por parte de alguns consumidores, mas o movimento está crescendo. “É uma prática que, quanto mais você desenvolve, mais cresce no seu dia a dia. Eu venho fazendo isso no meu guarda-roupa e isso gera um desejo cada vez maior de consumir marcas que fazem esse trabalho. Porque o designer de upcycling tem, além da criatividade, o olhar de transformação".

Mesmo para quem não tem o hábito de reutilizar peças ou reciclar aquele velho jeans, transformando em um belo short, a prática não exige grandes habilidades manuais. “Não tenha medo de errar. O upcycling é imperfeito e é isso que faz ele ser tão especial, porque transforma peças em histórias. Meu maior aprendizado nessa trajetória foi entender que a moda é mais sobre pessoas do que sobre roupas. É uma jornada de autoconhecimento, isso também é estilo”, completa Giovanna.

Moda pós-pandemia

Giovanna acredita que, no mundo pós-pandemia, as pessoas vão repensar a maneira como usam seu dinheiro. “Seremos obrigados a olhar o nosso armário e investir em outras maneiras de consumir moda. Estamos todos trancados em casa, aprendendo que precisamos de menos para viver e, principalmente, com menos ruídos sociais. Tudo vai refletir também em nosso guarda-roupa".

Sommer comunga a mesma opinião e acrescenta: “Daremos mais importância ao mercado local, aos pequenos produtores, pois o que nos importa de verdade é de onde esse produto vem. O futuro chega com mais consciência, senso comunitário e colaborativo. Depois dessa situação, o jeito é reaprender tudo. A se comportar e rever certas atitudes no seu dia a dia, como o consumo de coisas de que não precisamos”.

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