Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Juliana Azevedo
Juliana Azevedo

Sístole e diástole pantaneira

As semelhanças funcionais entre o órgão que rege o ritmo do corpo humano e a parte do Brasil chamada de “reino das águas” tomaram forma, invadindo minha consciência

Alice Ferraz, Moda

09 de maio de 2021 | 15h00

O coração é um órgão que em ciclos constantes se enche da seiva da vida e depois se contrai, esvaziando-se e impulsionando a mesma seiva que nutre cada parte do próprio sistema e de todos os outros sistemas que aguardam o seu pulsar para realizar as próprias funções vitais. Assim, em pura analogia, o Pantanal se abriu repentinamente para meu pequeno entendimento sobre os sistemas da vida selvagem. 

As semelhanças funcionais entre o órgão que rege o ritmo do corpo humano e a parte do Brasil chamada de “reino das águas” tomaram forma, invadindo minha consciência e criando pontes e afinidades constantes em quatro dias de imersão pelo bioma que está “coincidentemente” no coração da América Latina

Leia Também

O homem da casa

O homem da casa

O coração é oco, o Pantanal também é, e estes dois “organismos” ocos, palavra cujo significado não faz jus, quando no dicionário oco quer dizer “desprovido de sentido”. O coração e o Pantanal são puro sentido, seus vazios feitos para serem preenchidos nunca estão em zona de conforto, seu conforto é funcionar, bater, compartilhar com o todo a cada minuto. O Pantanal é a maior reserva úmida do planeta, mas toda sua água vem de fora, das chuvas e dos rios. Ele, então, bombeia, faz circular a água, o sangue, a vida. 

No Pantanal vi essa água da vida nutrir o casal monogâmico de araras-azuis que mora em um ninho com dois filhotes – se não fossem azuis e com asas poderiam, até ser humanos. 

A espécie pantaneira conversa muito entre si. Elas brigam às vezes e se unem para estar com as crias, para defender a casa, para conseguir o alimento e, depois de uma vida juntas, sofrem quando uma se vai antes e o parceiro tem que seguir sozinho. 

É impossível não se ver como em um espelho comparativo diante das espécies vivendo suas vidas sem a dominação do homem. A onça é um predador como nós, explica a bióloga, e imediatamente o véu cai e me enxergo, identifico o comportamento do animal na pele da mulher que se acredita única moradora dos grandes centros. 

Em quatro dias, a vida pantaneira exerceu seu poder e fui colocada exatamente no meu lugar. Parte do todo. Semelhante e não singular. Consciente de um papel que deverá ser exercido para que o todo exista. 

Tudo o que sabemos sobre:
PantanalBrasil [América do Sul]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.