Johanna Geron Reuters
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Semana de Alta-Costura de Paris: Schiaparelli teve Anitta na plateia e Dior homenageou Ucrânia

Cantora brasileira foi conferir desfiles na capital francesa; veja imagens das criações da grifes que abriram o evento

Olga Nedbaeva, AFP

04 de julho de 2022 | 17h41

A Dior apresentou nesta segunda-feira, 4, suas novas peças na Semana de Alta-Costura de Paris, em um desfile que homenageou as paisagens bordadas de uma artista ucraniana. A Schiaparelli foi a primeira a desfilar e contou com a cantora Anitta entre os convidados

Maria Grazia Chiuri, diretora artística das coleções femininas da casa de moda parisiense, enfatizou sobriedade e elegância na nova coleção.

Cores naturais, materiais foscos, bordados sofisticados e patchwork de renda dão um toque artesanal as peças. 

A quintessência desta coleção é um vestido longo, que aparenta ser simples, mas tem um plissado que levou dois meses para ser feito. "Quanto mais trabalho, mais invisível", aponta Chiuri.

O espírito que guiou esta coleção "é complexo: a covid ainda não terminou e há uma guerra na Europa. Sou sensível a tudo que nos acontece", explica a criadora italiana à AFP. "É muito importante permanecer positivos", acrescenta.

Chiuri convidou a artista ucraniana Olesia Trofymenko, de 39 anos, para idealizar e criar o set do desfile, celebrado no Museu Rodin de Paris.

A primeira vez que viu suas obras foi em Roma, a capital italiana, após o início da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

"Suas imagens me chamaram atenção, que mostram um desejo de renascer apesar da guerra", disse.

A diretora artística queria algo "com vida", recordou Trofymenko à AFP antes do desfile, no qual as modelos andaram em frente a gigantescos painéis coloridos bordados,  realizados a partir de uma foto do pátio de sua casa de campo onde se refugiou durante a guerra.

"Minha primeira reação foi 'sabem o que está acontecendo?', mas no final não há problema em mostrar a beleza da cultura ucraniana diante das imagens dos horrores da guerra", disse.

Schiaparelli ​

Seus trajes surrealistas escandalizam o mundo há quase um século e suas ideias agora inspiram ícones de estilo. O desfile da Schiaparelli abriu a Semana de Alta Costura de Paris nesta segunda-feira, 4, com um espetáculo teatral.

O desfile da casa de moda italiana, marcado por chapéus e joias, além de peças provocantes, aconteceu no Musée des Arts Décoratifs, que inaugura nesta quarta, 6, uma exposição dedicada à fundadora da marca, Elsa Schiaparelli (1890 -1973).

Na primeira fila estavam figuras como a editora da Vogue americana, Anna Wintour, a cantora Anitta e o estilista Olivier Rousteing.

Na passarela, modelos desfilaram usando espartilhos e vestidos com costas nuas, decotes profundos acompanhados de joias e tops transparentes ou sutiãs usados como elementos visíveis, compondo looks de noite.

"Tirar o fôlego"

A moda tem sido descrita como "boba", mas também "provocativa, arrebatadora", "de tirar o fôlego", escreveu na nota do desfile o estilista americano Daniel Roseberry. Diretor criativo da casa desde 2019, é responsável pelo grande sucesso recente da Schiaparelli. 

Elsa Schiaparelli foi a primeira designer que mesclou arte e moda. Declarou falência em 1954 em Paris e se exilou nos Estados Unidos, onde morreu em 1973. Sua casa de moda ficou inativa por 60 anos.

Mas nos últimos anos, ícones como Beyoncé e Lady Gaga usaram peças Schiaparelli em cerimônias importantes, entre elas a posse do presidente Joe Biden.

No ano passado, para subir os famosos degraus do Festival de Cannes, a modelo Bella Hadid apostou em um vestido preto com decote acentuado e o peito coberto por um colar de ouro em formato de pulmão,  assinado pela casa italiana.

Estas peças estão expostas no museu juntamente com outras desenhadas há quase um século por Elsa Schiaparelli, como o chapéu-sapato criado em colaboração com Salvador Dalí e um icônico vestido de lagosta usado pela Duquesa de Windsor em 1937.

Vestido de jornal

Em 1935, usou impressões de papel de jornal. "É genial, foi Warhol antes de Warhol e John Galliano adotou o mesmo princípio 60 anos depois" com um vestido estampado de jornal para a Dior em 2001, disse à AFP Olivier Gabet, diretor do Museu de Artes Decorativas.

Elsa Schiaparelli foi contemporânea a Gabrielle Chanel, mas é muito menos conhecida.

As estilistas, que se odiavam, "são muito diferentes: Schiaparelli vinha de um meio muito privilegiado, era uma mulher muito culta, que fazia parte da aristocracia romana e cuja cultura visual e literária lhe permitia ocupar um lugar muito surpreendente", explica Gabet.

Chanel teve que esperar até 2020 para ter uma retrospectiva na Palais Galliera, o museu da moda de Paris.

Exposições como Pioneiras, no museu de Luxemburgo, sobre o papel primordial das mulheres no desenvolvimento dos grandes movimentos artísticos da modernidade, fazem parte da movimentação fundamental para destacar artistas subestimadas e imperceptíveis.

"Em suas memórias, Schiaparelli fala dos artistas com quem trabalhou, contando que foi muito emocionante. Mas quando você lê as memórias de Dalí ou Man Ray, a menção de Schiaparelli é muitas vezes sugestiva, ou até mesmo ausente", diz Olivier Gabet.

 

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