Arquivo pessoal
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Schynaider em Paris

A modelo e influenciadora digital conta em suas palavras como foi viver o retorno da semana de moda internacional

Alice Ferraz, Moda

24 de outubro de 2021 | 05h00

Viver a primeira semana de moda presencial em Paris, depois de meses sem viajar, foi algo que jamais imaginei depois de 20 anos trabalhando como modelo. Na temporada passada, estava em Milão, na Itália, quando, de repente, tudo começou a fechar.

Foi uma época estressante para todos e também para mim, que passava uma temporada na cidade para participar como modelo de alguns desfiles. A pandemia foi um momento de muitas perdas, mas também houve certos ganhos. Na minha vida profissional, pude aproveitar esse tempo para me aprofundar e profissionalizar meu conteúdo.

Chegar este ano a Paris e ver o desabrochar da cidade me trouxe uma sensação de esperança incrível – melhor ainda foi poder vivenciar essa experiência como influenciadora. Assistindo à moda de um outro lugar, entendi a diferença entre criar conteúdo e apenas vê-lo acontecer. Isso me faz hoje muito mais atenta ao comportamento das pessoas e, nessa temporada, entre um compromisso e outro, as paradas nos cafés foram como assistir a cenas de um filme, um filme deste tempo único que estamos vivendo.

Reencontrei uma Paris muito mais leve, diferente de tudo, mais alegre e pulsante. As vozes estão mais altas, as pessoas querem celebrar, seja pelo uso da cor ou do brilho, isso é explícito. Também tive uma maior sensação de segurança nas ruas, o que dá vontade de ousar mais. 

Ver uma apresentação da Van Cleef and Arples inspira e desperta o desejo de usar joias maiores. Participei também de vários eventos com marcas brasileiras lá, o que mostra como a moda nacional está cada vez mais inserida no contexto internacional. É como se estivéssemos vibrando no mesmo ritmo, sem fronteiras. 

Por fim, dos anos loucos do século 20 aos anos loucos do século 21, existe uma diferença comportamental enorme: o valor de estar em Paris agora está nas relações e em todos os locais, hotéis, restaurantes, valorizando cada momento. Entre os endereços que amei rever, está o L’Avenue, para almoço ou jantar; o Hotel Costes, sempre com seu público bem-vestido e a trilha sonora certa. 

Como novo point, temos o Noon, que nos apresenta um delicioso cardápio asiático e uma varanda excepcional, com vista para a Torre Eiffel. Mas o mais gostoso foi a descoberta de um pequeno restaurante francês, familiar, desses que a gente só encontra quando se deixa flanar pela cidade, Les Gourmets des Temes. Vale anotar:  87, Boulevard de Courcelles. Do outro lado do Sena, a novíssima experiência de Alain Ducasse confirma que realmente estamos em outros tempos.

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