Rahel Patrasso/ Reuters
Rahel Patrasso/ Reuters

São Paulo Fashion Week cancela desfiles de abril devido ao coronavírus

Pandemia altera o cronograma de lançamentos de grifes internacionais e começa a tumultuar mercado brasileiro da moda

Lays Tavares e Maria Rita Alonso, Especial para 'O Estado'

12 de março de 2020 | 20h33


A organização da São Paulo Fashion Week comunicou nesta quinta-feira, 12, que decidiu cancelar os desfiles previstos para o período de 24 a 28 de abril devido ao coronavírus. “Diante do cenário atípico e visando preservar a saúde e bem-estar de todos, a programação do Festival SPFW+ e a conferência internacional anunciada para o dia 27 de abril serão replanejadas”, dizia o comunicado, que informava ainda que “a temporada SPFW N50, celebrando os 25 anos do São Paulo Fashion Week, está mantida entre os dias 16 e 20 de outubro”. 



A pandemia, que já está espalhada em mais de cem países incluindo a China, Itália, Estados Unidos e Brasil, parecia inofensiva no começo de fevereiro, enquanto os olhos do mundo da moda estavam voltados para a New York Fashion Week e para o tapete vermelho do Oscar, mas o impacto do coronavírus já está sendo sentido na pele pelos diferentes níveis da indústria. Danos na produção, distribuição e cancelamentos dos mais importantes eventos estão afetando não só o calendário da moda em 2020, mas podem mexer com tudo o que conhecemos desse universo, em um movimento sem precedentes. 

 

O calendário da moda está sendo reorganizado à medida em que chegam novos dados sobre a crise global e as restrições de viagem são atualizadas. Tudo começou com o desfile de Outono/Inverno 2020 da Giorgio Armani, que aconteceu em portas fechadas em Milão no último dia da Milan Fashion Week, e funcionou como um alerta. Em seguida, as semanas de moda de Xangai, Pequim e Seul, que aconteceriam em março, foram canceladas. A Ralph Lauren, que não desfilou na última Nova York Fashion Week em fevereiro, tinha planejado um show na Big Apple em abril - também cancelado. 

 

Em medidas preventivas, praticamente todas as grandes grifes suspenderam ou adiaram os seus próximos desfiles da temporada Resort 2021. Conhecidos por acontecerem sempre em diferentes cidades pelo mundo, os shows de “Cruise Collection” movimentariam grande número de personalidades da moda durante os próximos meses. A Giorgio Armani adiou seu desfile que aconteceria em Dubai em abril para novembro deste ano, assim como a Versace, que deveria apresentar sua nova coleção dia 16 de maio nos Estados Unidos e não tem uma nova data para o evento. Gucci e Prada também não têm previsões para o seu Resort 2021, que aconteceria na cidade de São Francisco, na Califórnia, em 18 de maio e no Japão, em 21 de maio, respectivamente. A Hermès cancelou seu desfile em Londres em 28 de abril, seguida pela marca italiana Max Mara também cancelou o show que aconteceria dia 25 de maio em São Petersburgo, na Rússia.

 

Até o fechamento deste texto, Chanel e Dior seguem firmes com o seu calendário. Apesar de ter cancelado a reapresentação do seu Métiers d'Art em Pequim em maio, a Chanel ainda tem planos de desembarcar com sua cruise collection em Capri,no dia 7 de maio; enquanto a grife comandada por Maria Grazia Chiuri apresenta seu Resort 2021 em Lecce, região da Puglia, terra natal da estilista. Até então, o Festival de Cannes, que acontece entre 12 e 23 de Maio na Riviera Francesa, não será cancelado; assim como o CFDA Awards, premiação de designers e personalidades da moda americana, que acontece na Biblioteca Pública de Nova York dia 8 de junho, e o Met Gala, festa anual que abre a exposição de moda do Metropolitan Museum of Art, de Nova York, no próximo 4 de maio.

 

Várias feiras, como a Baselworld, também foram adiadas devido à crise do COVID-19. O Copenhagen Fashion Summit, evento anual que debate a sustentabilidade na moda marcado para maio, agora acontecerá em outubro. 

 

Nesta quinta-feira, 12, a Gucci anunciou o fechamento de todas as suas fábricas na Itália até o dia 20 de março. Segundo porta-voz da empresa, a medida não afetará o fornecimento de produtos aos clientes. Todas as lojas físicas da marca permanecerão fechadas até 3 de abril, de acordo com decreto do governo italiano, mas o e-commerce permanece em operação. 

 

Em uma ação para combater os danos e ajudar hospitais e centros de pesquisa, estilistas, CEOs e influencers da moda como Giorgio Armani, Chiara Ferragni e Marco Bizzarri da Gucci, são alguns dos nomes que estão fazendo doações milionárias. Marco Bizzarri doou 100 mil euros para os hospitais da região italiana de Emilia Romagna, enquanto a Giorgio Armani doou 1,25 milhão de euros para hospitais e instituições italianas como os hospitais Luigi Sacco e San Raffaele, ambos em Milão. Chiara Ferragni e seu marido, o músico Fedez, conseguiram arrecadar 3 milhões de euros (cerca de R$ 17 milhões na cotação atual) para as unidades de terapia intensiva em combate do coronavírus. A Itália tem o segundo maior número de casos do COVID-19 com mais de 12 mil pessoas afetadas.

 

Como o coronavírus afeta o mercado da moda brasileiro

No Brasil, as marcas começam a mostrar uma reação. Apesar de as grandes magazines ainda não terem um discurso pronto, o Grupo Arezzo, por exemplo, já cancelou dois eventos esta semana - o da Ana Capri que marcado para esta quinta-feira, 12, e o da Arezzo que aconteceria no sábado, 14. “Nosso compromisso, como empresa e pessoas responsáveis e conscientes dos riscos a que poderíamos expor nossos convidados, frente a rápida escalada do COVID 19, nos fez tomar essa atitude", anunciou a marca em comunicado. O mesmo motivo fez o Summit "A Moda pela Água", que aconteceria no próximo 20 de março no Unibes Cultural, ser adiado. Idealizado pela especialista em moda e sustentabilidade Chiara Gadaleta, o evento contava com parceria e apoio de grandes empresas nacionais como Farm, Marisa, Vicunha e Damyller. 

 

Para o Estado, a Riachuelo esclarece que ainda não há resultados concretos a respeito do impacto do vírus nos negócios da marca. Segundo a empresa, todos os itens importados de países afetados chegaram ao Brasil antes do início da pandemia. "A companhia reforça que está acompanhando de perto a evolução do vírus e já está estudando alternativas caso a situação se agrave, a fim de colocar em prática medidas que minimizem os possíveis impactos", disse um porta-voz, que confirma que a varejista está tomando medidas preventivas em suas lojas e ambientes de trabalho, em razão do bem-estar e saúde dos clientes e colaboradores. 

 

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