Estúdio On Photo/Gustavo Hipolito
Estúdio On Photo/Gustavo Hipolito

Marcas de lingerie buscam se alinhar aos novos tempos de confinamento

Peças feitas com tecidos naturais, que facilitam a respiração da pele, ganham mais espaço no corpo e na mente dos consumidores

Marilia Neustein, Moda

30 de maio de 2020 | 16h00

A quarentena nos apresenta muitos desafios. O #fiqueemcasa tem embutido uma série de reflexões, entre elas a de repensar nossa relação com a moda. Nesse contexto, o underwear ganha papel fundamental no resgate da intimidade. As peças de baixo têm contato mais próximo com a pele, daí a preocupação com o conforto e com a qualidade dos tecidos que nos tocam.

“As pessoas estão olhando mais para dentro em vários sentidos, seja para o interior de suas casas, de suas famílias e também tendo mais tempo para entender seus próprios corpos. Não temos nos vestido para sair e socializar, mas, sim, para nós mesmos. A palavra de ordem agora é conforto e casualidade”, afirma Sandra Chayo, diretora de Marketing da Hope.

Mas a atenção não termina só no conforto. Como a lingerie é a peça mais próxima do nosso corpo, as mulheres avaliam muito bem o que vestir. Esse autoconhecimento é também chamado de “autointimidade” pela Pantys, marca de calcinhas absorventes. “Por muitos anos, a lingerie foi sexualizada. Porém, o empoderamento das mulheres trouxe à tona um tema muito importante: a lingerie não tem como única finalidade ser sexy. A nossa ideia é tornar a rotina mais simples e confortável, mudando a relação do universo feminino com o fluxo menstrual”, diz a fundadora da marca, Maria Eduarda Camargo. Para tanto, o tecido tem enorme importância. “Nossas calcinhas absorventes são reutilizáveis e possuem tecido antimicrobiano com bloqueador de odores”, explica. 

Além do autoconhecimento, Ron Horovitz, diretor da Plié, enfatiza a importância também do olhar para o “conforto emocional” que a roupa íntima apresenta. “Podemos pensar antes de agir, pensar antes de escolher e isso devemos ao recolhimento causado pela pandemia: escolhas mais conscientes”, completa Horovitz, lembrando que, para quem trabalha muito tempo sentado, é importante que o tecido não retenha a transpiração. A marca traz um tratamento hidrófilo, e as peças de poliamida e elastano têm fundinho 100% algodão, feito por mão de obra nacional e formal. “Não há mais espaço para peças descartáveis. A moda tem que ser mais durável, a começar pela lingerie.”  O olhar para o outro também está posto na mesa no momento atual. Por isso, explica Bárbara Crevatin, diretora de Marketing da Loungerie, a palavra-chave é empatia. “Estamos passando por mudanças no comportamento de consumo no universo feminino. Neste momento, muitas peças de roupa deixaram de fazer parte do nosso dia a dia, mas as lingeries, além de representarem todas essas questões, são peças que resgatam a autoestima.”

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