Leonardo Albertino
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Quando virei mágico

O arquiteto Marcio Kogan fala sobre sua relação com o ofício desde a infância

Marcio Kogan, Moda

03 de outubro de 2020 | 16h00

Desde pequeno, eu odiava mágica. Nas festas tudo me enlouquecia, pombas que saíam de uma bengala, que saía de uma cartola, de dentro de um simples lenço, que virava uma moeda. Já na adolescência, passei a acreditar que toda essa magia, que antes me deixava incomodado, era verdadeira, o que me fez sentir bem mais confortável com esse assunto. Acreditava em fenômenos psíquicos e mentais que decifravam os pensamentos, a futurologia, a telepatia e a levitação.

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Há 20 anos, no entanto, fiz um projeto de uma casa num condomínio no litoral do Rio de Janeiro que mudou ainda mais minha percepção sobre magia. Um dia visitando a obra, já quase pronta, recebi uma comissão de moradores que veio reclamar da arquitetura sem janelas que, naquele elegante condomínio, seria inaceitável. Do lado de fora, olhei para um arquiteto da minha equipe (que telepaticamente me compreendeu) e comecei a articular painéis, transformando a hermética fachada em algo radicalmente aberto. Luz e ar ao máximo! Eram mais que simples janelas. Os espectadores, de boca aberta, quase aplaudiram a transformação. Propiciar essa experiência tanto para mim quanto para os outros foi incrível e, por isso, decidi seguir a carreira de arquiteto-mágico.

Com o tempo, surgiram os cobogós e muxarabis. Eles criavam efeitos de luz que, com o transcorrer do dia, produziam emocionantes animações gráficas. Dessa forma, era possível ver o tempo modificar o espaço. Depois, começaram a surgir janelas de vidro que desapareciam dentro das paredes criando uma radical integração com a natureza.  A transição entre o espaço interior e exterior estava diluída. Não sabíamos se a abelhinha estaria dentro ou fora de casa. Abracadabra! Atualmente em algumas obras estamos experimentando a levitação. Será que desta vez dará certo?

Marcio Kogan é arquiteto e fundador do Studio MK27. Nasceu em São Paulo e se formou em 1976 pela FAU-Mackenzie. É professor convidado do Politecnico di Milano e da Escola da Cidade, onde concluiu o mestrado Educação, Sociedade e Cultura. Também é membro honorário do American Institute of Architects e do conselho do Mube e do MASP.

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