Aluf
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Poesia posta em prática

Nome à frente da Aluf, Ana Luisa Fernandes abre o primeiro endereço físico em São Paulo

Alice Ferraz, Moda

29 de agosto de 2021 | 05h00

A nova safra de criadores da moda brasileira chega consciente das necessidades do mundo e com um olhar sensível para o País. A marca Aluf, de Ana Luisa Fernandes, uma paraense de 26 anos nascida em Belém, que cresceu no Rio de Janeiro e escolheu São Paulo como lugar para criar e estabelecer seu trabalho, faz parte desse novo momento. O início dessa trajetória foi no curso de Design de Moda da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap), onde Ana fez seu trabalho de conclusão de curso (TCC) em 2017. 

Sob o nome Tela, a pesquisa partiu dos conceitos da arteterapia, prática que propõe o autoconhecimento e a libertação pela arte e chegou à criação de uma marca de moda com princípios, valores e produtos sustentáveis “A marca nasce dessa inquietação, não pensava ser estilista. Mas vi que amava criar e precisava entender qual era a relevância do que eu estava fazendo. Meu TCC foi todo embasado nisso”, diz Ana Luisa.

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A Aluf foi fundada em 2018 e vem ganhando destaque na moda nacional. Desde seu nascimento, desfila duas coleções por ano no SPFW e na sexta-feira, 27, celebrou a abertura de seu primeiro ponto de venda físico, um passo importante para a fundadora que considera esse caminho uma chance para alcançar novos públicos. O novo espaço de 320 m² localizado na Rua da Consolação, Jardins, que abriga loja, ateliê e escritório, conta com uma arquitetura minimalista, linhas orgânicas e sinuosas que estão em sinergia com as formas esculturais das roupas criadas por Ana Luisa Fernandes.

Da mente inquieta o que vemos se materializar são roupas e acessórios com um forte viés artístico, silhuetas que abraçam diferentes tipos de corpos e uma interessante investigação de materiais e formas, características de uma moda autoral que Ana Luisa credita às experiências que viveu pelo Brasil. “A transição de lugares me trouxe uma consciência mais ampla no País em si. 

Essa visão que a Aluf tem, a valorização da matéria-prima e a inspiração nacional, vem desse meu pequeno e pessoal tour brasileiro. Temos a família [de roupas] Santarém que foi inspirada por uma foto que tirei do avião chegando em Santarém [Pará], as curvas vieram do caminho do rio. Já na coleção atual, trazemos a madeira, o tassel que vem de uma rede que eu trouxe de Belém. São texturas e elementos que carrego comigo”, conta a estilista. 

A moda sensível, afetiva e bem construída da Aluf faz ainda mais sentido quando o assunto é sustentabilidade. A marca utiliza 100% de tecidos sustentáveis e/ou naturais, seus materiais são 95% nacionais, a mão de obra é totalmente local e os retalhos que sobram no final da produção são reciclados. Da preocupação com os materiais vale ressaltar a seda, por exemplo, que vem do Sul do Brasil e é feita a partir de casulos imperfeitos de lagartas que seriam descartados pela indústria. 

Mas, nesse caso, são coletados e o tecido é feito manualmente com uso do tear. “A sustentabilidade é uma eterna busca. Pensar nisso é um desafio, principalmente com o crescimento da marca, mas no final das contas vale a pena, eu não conseguiria fazer de outra forma. Temos que recriar e inovar a partir daquilo que a gente tem.”

Fazer diferente e criar não só por criar faz parte das características primordiais da Aluf. Uma marca jovem, com uma mulher cheia de propósito à sua frente que enxerga o mundo com um olhar poético, mas também com uma abordagem muito embasada na realidade e que toma ações concretas para colocar sua filosofia em prática.

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