Juliana Azevedo
Juliana Azevedo

Pés para que te quero

Analisa a pele, as pintas, manchas, textura, sem julgamento e sem pretensão, compara braços, barriga, joelho e pés! Pés? Sim

Alice Ferraz, Moda

29 de janeiro de 2022 | 05h00

Janeiro em São Paulo, onde o calor do nordeste, sem a brisa que lá é seu par natural, abafa a cidade de concreto. Ficamos sem lugar, sem ar, sem espaço, um desânimo no ir e vir que é a graça da vida na grande cidade. Ela então fez um convite imperdível para juntas, poucas amigas, aproveitarem um banho de piscina no sábado. 

E chega a irmã quatro anos mais velha e sentam à beirinha da água, conversa fiada, um alívio no ar pesado que cobria o jardim. Chega, então, a irmã 12 anos mais nova com seus três bebês, a sobrinha 16 anos mais nova e a nora 28 anos mais nova. Todas mulheres, em várias fases da vida. 

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Da jovem que está no início da fase adulta, aos 23, à grávida do primeiro filho de 33, passando pela mãe de filhos pequenos de 39 e pelas duas mulheres maduras na menopausa, ela se percebe como há muito não via. Enxerga como se visse pela primeira vez as reais diferenças entre as idades e seus corpos. 

Analisa a pele, as pintas, manchas, textura, sem julgamento e sem pretensão, compara braços, barriga, joelho e pés! Pés? Sim, eles também mudam. Se tornam a imagem clara dos nossos passos, onde colocamos todo nosso peso, “forçamos a barra” até fazer calo, “topamos” às vezes, com a vida, ou melhor, com a porta. Assim ela olha o pé de cada uma. 

O pé que começou a andar há pouco da amada sobrinha de 2 anos, um pezinho sem curvas, quase em forma de pão, até o pé da mulher de 20 anos, que chegou ao seu formato “oficial”, mas sem marcas, sem vivência. Na futura mãe, alguma mostra do peso a mais e da falta de cuidado, afinal a barriga é o centro das atenções e o pé mal se enxerga diante do novo e redondo mundo que o esconde. 

A mãe de três já traz marcas e com elas não se importa, afinal, correr atrás dos pequenos é a prioridade. Aos 50, os pés se mostram mais cuidados do que nunca! O formato da vida já está impresso neles, mas estão hidratados e naturalmente envelhecidos, sem botox ou qualquer cirurgia. 

E se olhássemos o corpo todo como olhamos os pés? Com atenção sim mas, acolhimento, entendimento e compaixão? Sem as cobranças das coxas, bumbuns, barrigas e braços? A ideia lhe trouxe paz, alegrou-se, mergulhou com os pés para cima 

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