Cortesia da Valentino
Cortesia da Valentino

Pedro Diniz: Notas sobre o amor

O inverno 2022 chega embalado por tons rosados, flores e muito aconchego na moda brasileira e internacional

Alice Ferraz, Moda

08 de maio de 2022 | 06h00

Se o amor é um dos temas preferidos das marcas quando se trata de criar tendências para construir um estilo, é natural que após um período em que a palavra parecia fora de moda ela retorne à baila como um presente embalado na passarela.

O afago, expresso como um toque texturizado na roupa, o brilho que relembra os dias de festa e a calmaria dos tons terrosos e rosáceos, quentes como um abraço de mãe, foram alguns dos signos mais evidentes das coleções desfiladas no último ano nas capitais internacionais do luxo e, no Brasil, neste inverno 2022, floresce nas vitrines de estilistas mais atentos.  

Floresce de verdade, aliás. Em meio aos padrões gráficos, como o quadriculado do tweed explorado pela Chanel e o xadrez, um dos detalhes saborosos da coleção mais recente de Andrea Bogosian que surge numa saia forrada de cristais Swarovski, flores e folhagens agora nascem expandidas em saias e vestidos. Na coleção de Cris Barros, apresentada no mês passado, em São Paulo, as pétalas maximizadas aparecem brancas sobre um fundo azul profundo, como impressão em negativo fotográfico.  

As variações de rosa, do pink explorado pela Valentino na última semana de moda de Paris aos tons de lilás trajados por estrelas no tapete vermelho do Oscar, tingem as peças para adoçar qualquer rigidez. A mensagem é de esperança por dias melhores, mas também aviso de que é preciso dar uma mão de felicidade.

Isso também porque a alfaiataria é um dos nortes criativos para a temporada. Para além do “power suit” proposto pela ala mais técnica da costura, como a Prada, os blazers e as jaquetas ampliadas são as sobreposições mais vistas. E, aqui, vale dar um sentido utilitário, com bolsos e zíperes bem ao estilo da designer Isabel Marant. 

É preciso lembrar que o conforto une todas as tendências, desde aquelas com um tom mais sexy que dão respiro ao corpo, a exemplo das fendas no abdômen que podem aparecer como “top cropped” ou aberturas laterais dos vestidos, até os tecidos de pelo. O importante é não aprisionar, mesmo quando as cinturas são mais marcadas, como nas ideias da Christian Dior apresentadas em Paris, ou a ideia é apostar nos maxicintos que fazem as vezes de corset ajustáveis.

Essa liberdade que também é uma carta de amor às mulheres, estejam elas em qualquer faixa etária, leva-nos às texturas como ponto de atenção dos looks. Se o contato físico foi o que nos afastou de quem amamos, a moda coloca em primeiro plano a roupa que precisa ser tocada para revelar seu potencial. 

No último desfile da estilista Paula Raia na capital paulista, um dos vestidos, no qual as mangas se abrem nos pulsos e a silhueta helênica se destacava, traduziu o viés sensorial que é tendência absoluta deste tempo. A base era um compilado de pequenas flores beges que, olhadas de longe, conferiam tridimensionalidade à imagem.

As rendas, tanto a renascença, costurada com fita lacê, quanto as de bilro e filé, em que a mão humana é agente principal, aparecem hoje de forma menos óbvia, entremeadas a bases lisas ou delicadamente costuradas ao tule. O recado desta temporada não poderia soar mais claro, de que o amor é construído nos detalhes, nas memórias tecidas com cuidado e dedicação próprias de uma mãe.

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