AG Osklen
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Pé no futuro

Com o lançamento do tênis AG, Osklen segue com olhar atento para a sustentabilidade

Alice Ferraz, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2020 | 05h00

Dos criadores de moda brasileira, Oskar Metsavaht, fundador da Osklen, é um dos mais representativos. Com forte viés artístico alinhado a um potente instinto comercial, ele é responsável por traduzir o “savoir-faire” do Rio de Janeiro e a icônica imagem da alma carioca para roupas e acessórios. A marca que ele comanda hoje é uma das mais conhecidas do Brasil, com lojas aqui e lá fora e pontos de venda em países como Estados Unidos, Grécia e Japão.

De fato, o empresário está entre os nomes da moda mundial que enxergaram antes do tempo as mudanças de comportamento que uma moda mais sustentável poderia oferecer. Desde a fundação, em 1989, a marca é pioneira em trabalhar a sustentabilidade na moda brasileira. Há mais de 30 anos a Osklen lançou sua primeira camiseta de algodão orgânico. Desde então, o trabalho da grife é pautado pelo conceito “Asap - As Sustainable As Possible, As Soon As Possible”, em português, “O Mais Sustentável Possível, O Mais Breve Possível”.

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Em 2020, a novidade é o lançamento do tênis AG, resultado de anos de pesquisa e da busca incansável de Oskar e sua equipe por um processo de produção que valorize o material e a mão de obra brasileiros em sua máxima potência. O produto é feito com lona, confeccionada a partir de fibras recicladas e algodão e couro bovino certificado, com garantia de rastreabilidade e processo de beneficiamento com zero cromo – nas práticas comuns, o metal é usado no curtume do material, causando danos ao meio ambiente. Além disso, o modelo conta com látex natural da Amazônia, resíduos reaproveitados (borracha reciclada, pó de pneus descartados, cortiça e palha de arroz) e palmilha em EVA verde produzida com 70% de cana-de-açúcar. É um produto que representa a busca da empresa por uma cadeia mais sustentável e consciente.

“O tênis AG surgiu quando voltei da Amazônia, após uma visita à aldeia dos índios Caiapós, onde realizei um projeto de arte. Tivemos uma reunião com eles e os líderes vieram nos falar que estavam precisando de ajuda”, diz Metsavaht. “O projeto nasceu para criar condições e desenvolver uma economia extrativista sustentável. Nossa cadeia de suprimentos é pensada para fomentar projetos pelo Brasil e criar condições de trabalho consciente”, complementa.

Dar força às cadeias produtivas e auxiliar projetos em comunidades por todo o Brasil é um pensamento que se fortalece no último lançamento da marca, mas faz parte do modus operandi da Osklen desde sua fundação. Um case de sucesso nesse sentido e, relevante na história da marca, é o uso do couro do peixe pirarucu. O material tornou-se sinônimo nacional e internacional de moda cool e responsável.

Pioneiro no uso do material, Oskar criou uma cadeia produtiva em 2012 em parceria com o Instituto-E, organização independente que nasceu da própria Osklen para promover o desenvolvimento humano mais sustentável. O couro de peixe é usado para a produção de acessórios, tênis e bolsas.

A criação do produto traz renda para famílias da Amazônia e ajuda a desenvolver a bioeconomia. O povo da floresta passa a ter uma nova fonte de renda que antes era obtida com o desmatamento da mata para criação de gado. O trabalho com pirarucu rendeu a Oskar o prêmio do Green Carpet Award, iniciativa italiana que reconhece as melhores práticas sustentáveis do mundo.

Assim como o made in Italy, feito na Itália, é motivo de orgulho, e impulsionador de vendas, para as grandes marcas europeias, a Osklen surge como marca brasileira que olha para as riquezas do nosso País e enaltece os melhores insumos nacionais. Tudo é resultado da mente do criador que chega à terceira década de sua marca com fôlego renovado.

“Transformamos as matérias primas em produto, algo que seja belo, útil e desejável. Uma marca de moda tem um poder muito grande de comunicar e informar, trabalhar dessa forma é útil para os produtores e para a nossa cadeia de consumo”, afirma.

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