Victoria Sayeg, Luis Vuitton e Isabel Marant
Victoria Sayeg, Luis Vuitton e Isabel Marant

Papetemania

O calçado que foi hit nos anos 1990 volta repaginado e já conquistou fashionistas no Brasil e no mundo

Alice Ferraz, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2021 | 05h00

Uma das verdades absolutas sobre a moda contemporânea é que ela é cíclica. A cada ano, vemos tendências do passado serem reinventadas e trazidas de volta às passarelas, páginas de revista e feeds do Instagram. Logo, a tendência ganha as ruas e torna-se desejo dos amantes de moda e atinge sem cerimônia o armário de quem até então não sabia nem o nome formal daquela peça que agora faz parte do seu look do dia. Foi isso que aconteceu com as papetes.

A sandália, que em sua versão clássica aparece com solado de borracha e tiras que se prendem aos pés, teve seu auge nos anos 1990 e há cerca de três temporadas fez seu retorno triunfal ao século 21. Elas começaram a dar às caras em 2020, quando um modelo lançado pela tradicional casa de moda francesa Chanel se tornou o sapato da vez entre celebridades e influenciadoras digitais internacionais. Sem demora, a tendência se difundiu, apareceu nas coleções de outras marcas e chegou ao Brasil.

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Futuros possíveis

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Ao observar a moda como comportamento de um tempo, o timing da ascensão das papetes no mundo da moda é certeiro. Com a pandemia e, consequentemente, períodos de isolamento social , faz sentido que os consumidores busquem modelos de sapato sem salto com solados firmes, que promovem mais estabilidade e conforto. A referência aos anos 90 chega com ares nostálgicos e um sabor da liberdade de outros tempos.

Apesar do sucesso, o modelo não é unanimidade entre os amantes de moda, assim como a maioria das tendências. Mas, nos últimos meses caiu nas graças do grande público. Há quase dez anos no mercado de calçados, a designer brasileira Paula Torres conhece bem o gosto das clientes e, em meados de 2020, lançou o primeiro modelo de papete inspirado na versão clássica: com fechamento em velcro, duas tiras largas abraçando os pés e uma dando mais segurança ao calcanhar. O olhar de moda ficou por conta dos detalhes em couro franzido e pespontos contrastantes.

A peça foi sucesso imediato e recorde de vendas, o que resultou em dois novos modelos da sandália em diferentes versões que mantêm o espírito da papete. A mais recente, chamada Paris, chega em couro metalizado e com acabamento em matelassê, costura clássica que forma losangos sobre a tira acolchoada. O maior desafio foi trazer modelos que fossem comerciais, mas que não fossem mais do mesmo. Os feedbacks recebidos das clientes foram incríveis, abrangendo todas as idades. Traduzir tendências internacionais sem copiar é o foco do departamento de estilo. A brasileira quer usar a moda que ela identifica como tendência , diz Paula.

Do universo das sandálias confortáveis sem salto, também ressurgiram os sliders, similares às papetes, mas sem a tira que prende o sapato ao calcanhar. O modelo é carro-chefe da Tamanquerie, nova marca brasileira que foi criada durante a pandemia e produz seguindo conceitos de slow fashion, com coleções enxutas e produção artesanal em escala limitada. Estava com minhas filhas mais velhas no interior e todas nós queríamos uma sandália que fosse bem confortável mas que fosse sofisticada ao mesmo tempo. Escolhemos os couros mais macios, misturamos com sensibilidade as texturas e cores, de uma forma que a sandália ficasse moderna e se tornasse objeto de desejo , relembra Suzy Morelli, fundadora da marca, sobre a criação da sandália Teque.

A onda das papetes e sliders segue ganhando força entre as marcas de calçados. Ao olhar para grifes internacionais, que contam com pontos de venda no Brasil, como Louis Vuitton, Isabel Marant e Aquazzura, encontramos os calçados confortáveis, a partir de uma proeminente curadoria de produtos. No Brasil, marcas como Paula Torres, Tamanquerie e Bandana se inserem com maestria na tendência global nos pés da brasileira. 

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