Bruna Alicia
Bruna Alicia

Os vinte anos da moda de Cris Barros

A estilista que influenciou o modo de vestir da brasileira celebra as duas décadas de sua marca homônima

Alice Ferraz, Moda

16 de abril de 2022 | 06h00

No mercado brasileiro, onde a cultura de moda é ainda jovem e o movimento para criação de uma marca autoral é repleto de dificuldades, encontrar um nome longevo e ainda por cima de grande sucesso comercial é algo notável e um feito a ser investigado. 

É preciso adaptabilidade, resiliência e inteligência para negócios, tudo em equilíbrio com a poesia da criação e sintonia com os desejos da mulher. Acima de tudo, é preciso ter um impulso constante da paixão pelo que se faz e isso vemos de sobra em Cris Barros, que há duas décadas fundou a marca que leva seu nome. 

Em um ambiente de extrema concorrência, que é pautado por números de vendas, ouvir Cris falar com suavidade e fluidez sobre os últimos 20 anos faz com que tudo soe realmente tão leve quanto sua moda. 

Um estilo que, por sinal, é pautado pelo minimalismo em sua essência, que ora lança mão de decorativismo com estampas, texturas e franjas, mas que carrega em si uma simplicidade formal quase arquitetônica. As linhas são puras e a visão de quem é essa mulher é clara. 

Cris estudou na Itália, no Istituto Marangoni, trabalhou com o estilista francês Stephan Janson, um dos pupilos de Yves Saint Laurent e, em 2002, lançou-se no Brasil com uma moda que, na época, era muito diferente do que se via nas passarelas das grandes grifes brasileiras. 

A moda nacional no início do novo milênio era sobre desfiles com imagens teatrais, referências internacionais, formas dramáticas e muita pele à mostra – em uma sensualidade que chocava e que a moda abraçava. 

A marca Cris Barros chegou mostrando uma elegância sutil, uma cena de passarela que espelhava a mulher de seu tempo, um novo olhar para a feminilidade, com roupas que se baseavam em uma sensualidade menos óbvia e mais difusa. Ao fazer isso, a grife rapidamente se transformou no “dress code” de meninas da sociedade paulistana. Contribuindo, e muito, para a construção de uma nova imagem feminina brasileira nascida em São Paulo. 

FÓRMULA. Cris poderia ter caminhado seguramente por esse universo que lhe era natural, como uma marca reconhecida pelas paulistas. Ou então, no máximo, se aventurar no eixo Rio – São Paulo. Mas seus planos em conjunto com a irmã, a executiva Dani Barros Verdi, dupla no comando da marca, eram maiores e foram traçados com maestria. 

Afinal, é raro encontrar no mercado brasileiro uma marca de luxo autoral que conseguiu encontrar a fórmula certa para atingir o crescimento nacional sem se transformar ao longo do caminho em mais uma fast fashion, ou seja, em um modelo de negócios de réplicas de modelos desfilados em passarelas mundo afora, todas produzidas a baixo custo e em massa. 

Em 2016, já com seis lojas e uma posição bem colocada no mercado nacional, Cris deu mais um passo para o seu crescimento e se associou ao Grupo Soma, plataforma brasileira de marcas de moda que foi fundada em 2010 e que em 2019 atingiu um faturamento bruto de R$ 1,5 bilhão. 

A parceria foi além de um investimento, chegou como um complemento para inteligência na operação e planejamento da marca. Atualmente, Cris Barros conta com 10 lojas pelo Brasil e é presença forte no mercado de multimarcas. 

Na jornada de uma marca esse é um dos momentos em sua história em que essência e criatividade podem se perder em frente à facilidade de capital e à oferta de produção do produto em larga escala. 

Fatores que desafiam um modelo de negócios que privilegia a criação. Pois a marca Cris Barros parece ter abraçado tal desafio e passado no teste, utilizando-se dos benefícios de estar em um grupo forte de moda, mas se mantendo como uma das marcas de luxo mais desejadas no mercado brasileiro. 

Sua maior preocupação hoje? “Manter a marca atual e fiel à sua essência, sendo autoral e de luxo, com processos de criação de alta qualidade e, acima de tudo, com grande engajamento social e foco na sustentabilidade”, conclui a diretora criativa que, com orgulho, comemora as 20 voltas ao Sol de sua marca. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.