Vinícius Mochizuki/Moda
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O poder de Isis

Perdas, maternidade, natureza e muita ioga transformaram Isis Valverde em uma pessoa mais forte e leve

Renata Brosina, Moda

29 de agosto de 2020 | 16h00


É provável que, após uma conversa com Isis Valverde, ocorra um pico de inspiração, seja dar start às aulas de ioga, seja fugir para a natureza ou abraçar seu filho. Se você não tiver filhos, vai querer tê-los. “Sou uma pessoa mil vezes melhor do que era antes de ter o Rael”, diz a atriz de 33 anos sobre a chegada do filho em 2018. “Ele pegou a Isis de antes, agregou muito e vai transformar ainda mais”, completa. E isso foi apenas o começo para a mineira de Aiuruoca ter entendido que ela tinha uma força muito maior do que imaginava – e também uma consciência talvez errada sobre perfeição. “Achava que não daria conta. A minha mãe veio para o Rio de Janeiro me ajudar e, após dois meses, ela voltou para Minas Gerais. Senti medo de não ser perfeita. E, ao longo do tempo, fui compreendendo que ser mãe é conviver com a imperfeição”, diz. Segundo ela, foi aí que os medos começaram a sair de foco. “Com cobrança ou culpa, não seria uma boa mãe, nem amiga para o meu filho. Quando fiz isso, a minha vida mudou.”

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Por telefone, Isis mostra alegria e leveza de uma pessoa que busca na natureza uma forma de reconexão. “A Terra é uma continuação da gente. Para mim, ela representa tudo. Conexão, calma, força e cura.” Ela diz que não vive sem um mergulho no mar ou sem abrir a janela e respirar um ar puro. “Moro no meio do mato. Dois meses sem isso? De jeito nenhum”, diz a atriz que já viveu, curiosamente, durante seis meses em Nova York. “Essa cidade só tem pedra, carros e asfalto. Vou morar no Central Park, dentro de uma cabana”, costumava dizer à mãe durante o tempo em que passou na Big Apple.

Aliás, foi na cidade americana que ela descobriu uma prática que segue até hoje, firme e forte, na sua rotina – e, inclusive, com o objetivo de se reenergizar: a ashtanga. “Estava com 27 anos e, andando pelas ruas, vi uma placa escrita ‘Hot Yoga’, fazia muito frio naquele dia. Quando entrei, era uma sala quente e estava há alguns dias sem dormir.” Após aquela primeira aula, Isis dormiu direto das 19h até a manhã seguinte. “Pensei: ‘O que é isso?’. Quero fazer ashtanga todos os dias da minha vida.” Desde então, Isis deu continuidade às aulas no Rio e, coincidentemente, viveu a sereia Ritinha na novela A Força do Querer, na Globo. “A minha personagem fazia apneia e carregava um peso muito grande embaixo da água – a cauda do figurino pesava 27 quilos.”

Além da resistência física, por causa do equilíbrio e das posições que são guiadas pela respiração, Isis desenvolveu uma melhora na sua paciência e no seu controle mental. “A ioga é uma prática para encontrar um conforto dentro de uma posição nada confortável”, explica. “É incrível como ela incentiva você a conquistar coisas na vida. Desde trazer força para o que deseja até o bem-estar e o autoconhecimento.”

Combinação que trouxe para Isis mais sabedoria para lidar com as perdas. Antes da pandemia de covid-19, ela perdeu o pai e a melhor amiga. Durante a crise sanitária, a avó de Isis morreu. “O meu caso foi singular. Não estava tudo bem na minha vida e, de repente, surgiu a pandemia. Sofri uma paulada emocional. Precisava resolver aquilo que estava dentro de mim. Enquanto algumas pessoas estavam preocupadas em fazer a unha ou viajar, precisava entender onde mais doía dentro de mim e saber como continuaria sem eles. Este ano, até agora, foi muito difícil para mim”, diz.

Se por dentro da armadura Isis segue juntando forças por causa de uma rotina de wellness composta por ioga, “muita conversa, análise e, claro, ter pessoas que você gosta por perto”, como ela descreve, por fora, toda essa conquista resultou em autoconfiança que pode ser vista, principalmente, na vaidade. “Aprendi a me vestir e maquiar mais. Era muito bicho-grilo e não gostava dessas coisas”, lembra. “Aos poucos, fui pegando o gosto. Comecei a usar mais colares, brincos e acessórios no geral”, diz Isis, que passou a ter mais confiança após experimentar novas formas de usar a moda a seu favor – e de criar um estilo próprio.

“Tinha muita vergonha. A gente quer pertencer e, como vivi parte da minha vida no interior, sei como funcionam os julgamentos e o que as pessoas falam. Se não pertencemos, não é legal. Mas mudei meu mindset para ‘Eu sou assim. Eu sou isso. E vou usar isso’”, diz ela, que já frequentou semanas de moda internacionais a convite de grandes marcas, como a Dior. Entre tantos aprendizados, Isis propõe uma reflexão e dá uma pista sobre qual é a resposta para desenvolver força e autoconfiança. “A mudança vem de dentro para fora”, diz. No caso dela, a beleza também.

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