Chanel, Daniel Roseberry, Off-White
Chanel, Daniel Roseberry, Off-White

Novos horizontes

Desfiles internacionais apontam os ternos e a alfaiataria como tendência forte para as próximas temporadas

Alice Ferraz, Moda

18 de julho de 2021 | 05h00

No Brasil, ainda estamos vivendo a era do aconchego, como já falamos na coluna. As roupas que dão espaço para o corpo, com modelagens confortáveis e tecidos macios estão em alta e nos abraçam neste momento de pandemia, trazendo um conforto bem-vindo e necessário. No entanto, trabalhar com moda é pensar no que vem depois. É papel dos diretores criativos e profissionais do meio antecipar os desejos do público e se adaptar a isso. As semanas de alta-costura são ótimas oportunidades para observarmos como a moda se prepara para os novos cenários. 

Historicamente, a temporada de Haute Couture é conhecida por seu caráter experimental e ousado. Ao criarem peças feitas sob medida, para uma pequena parcela de clientes globais com alto poder aquisitivo, os estilistas têm mais liberdade de experimentar ideias novas, priorizar sua visão criativa e mostrar como enxergam o mundo que, hoje, é um novo mundo que se prepara para o pós-pandemia. Essas ideias são adaptadas para roupas com mais apelo comercial e ganham as ruas. Portanto, o que é apresentado agora na Europa é um prelúdio do que está por vir e de como iremos nos vestir no dia a dia.

E como a moda está se adaptando aos novos tempos? Com mais de 3,4 bilhões de doses de vacinas para covid-19 administradas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), um horizonte pós-pandemia começa a se formar e, pouco a pouco, as atividades de vida cotidiana são retomadas. No trabalho, o cenário é o mesmo, a quarentena forçou uma grande parcela da população ao home office e, no retorno, o modelo híbrido já é uma realidade, porém, vemos que a vida no escritório não foi extinta. Aliás, sentimos falta desse convívio.

Um relatório publicado pela McKinsey & Company chamado “O futuro do trabalho pós-covid-19” analisou 2 mil funções em 800 ocupações diferentes de oito países e fala que: “Alguns tipos de trabalho que, tecnicamente, podem ser feitos remotamente são melhores quando realizados presencialmente. Decisões críticas de negócios, sessões de brainstorming, troca de informações sensíveis e a chegada de novos colaboradores são exemplos de atividade que podem perder alguma efetividade quando feitos remotamente”.

Em um cenário de retorno ao trabalho presencial, os moletons dão lugar ao eterno símbolo do trabalho: os terninhos. Na passarela, são eles que ganham destaque. Na coleção de outono-inverno 2021 da marca de streetwear de luxo off-white, apresentada no início do mês, as formas maxi que tornaram a grife famosa são substituídas por blazers, saias e calças, tudo mais ajustado ao corpo, em uma cartela de tons mais sóbrios. 

O mesmo acontece no desfile de alta-costura da icônica Chanel. Agora, pelo olhar da discípula de Karl Lagerfeld, Virginie Viard, a marca tem suas origens na libertação feminina na moda com a criação de roupas mais práticas para mulheres e, nesta coleção, teve como um dos destaques um terno branco de linhas puras, mas com lapelas arredondadas e formas alongadas, para manter a suavidade e o conforto.

Os novos ternos e peças de alfaiataria da alta-costura também aparecem com detalhes especiais e lúdicos na Schiaparelli e na Pyer Moss, brancos, como um símbolo de renovação, como o casaco longo usado com bota na passarela da Fendi e até com fortes referências do armário masculino na Balenciaga. Marcas tão diferentes apresentando uma mensagem clara que começa a despontar na moda: é hora de voltar, e vamos estar vestidos a caráter para este momento.

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