Paula Coelho
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Nosso Legado

Como harmonizar em nosso tempo e em nossa sociedade as complexas demandas que cobramos dos recursos finitos deste mundo e a necessidade de conservá-los para as próximas gerações?

Roberto Klabin*, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2021 | 07h00

Vivemos em um mundo em que as pessoas estão primordialmente direcionadas para o crescimento econômico e tudo aquilo ao qual não é possível atribuir valor não tem futuro. Como harmonizar em nosso tempo e em nossa sociedade as complexas demandas que cobramos dos recursos finitos deste mundo e a necessidade de conservá-los para as próximas gerações? Como explicar para os mais jovens que, graças aos relatos dos antigos que viveram em outras épocas, quando a natureza era abundante, aquilo que hoje encontramos na maioria dos ambientes naturais deste planeta é apenas um fragmento do que já existiu, e que a causa desse gradual desaparecimento somos nós? 

Se não fossem esses relatos, não perceberíamos essa perda de biodiversidade e da beleza deste mundo. Assim, cada geração se contentaria com o “menos”, o novo normal, e assim por diante iria sendo criada uma sensação de amnésia coletiva e a falta de interesse em lutar pela reconstituição desses ambientes que se foram ou estão no processo de desaparecer. Que legado a nossa geração pretende deixar para as futuras? 

Nós brasileiros fomos abençoados com uma riqueza natural inigualável. Ambientes como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, para citar alguns, fazem do Brasil a maior potência ambiental do planeta. Apesar de todo o desconhecimento e o descaso de governos e da sociedade em geral, agravados ainda pelas mudanças climáticas que assolam o planeta, muitos desses biomas ainda resistem e mantêm características naturais que remetem ao seu passado de esplendor e abundância.

Tive o privilégio, quando menino, de conhecer o Pantanal e, desde então, estabeleci um compromisso comigo mesmo de que iria fazer algo, um dia, que pudesse aliar o desenvolvimento econômico da região conservando e preservando ao máximo a beleza e a vida selvagem que eu encontrei por lá no meu primeiro encontro. Esse é hoje o meu projeto de vida e minha satisfação maior vem da constatação de que um número cada vez maior de pessoas que amam aquele lugar está disposto a arregaçar as mangas e lutar para que o Pantanal não desapareça. 

Assim, convido todos a usarem uma parte do seu tempo em projetos que façam a diferença e que deixem este mundo mais belo para o nosso deleite e das próximas gerações. E, se você acha que está sozinho ou é muito pequeno para fazer a diferença, lembre-se de um ditado africano que diz: “Se você se acha muito pequeno para fazer a diferença, é porque você nunca dormiu num quarto com um mosquito!”.

*Fundador da SOS Mata Atlântica e da SOS Pantanal, Roberto Klabin é empresário e um dos grandes defensores do ecossistema mundial   

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