Fernando Lousa/Moda
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Nina Silva: Racismo existe

No momento em que o debate sobre racismo ganha força no mundo, a empresária e uma das fundadoras do Movimento Black Money lembra da importância e do papel de pessoas brancas na luta contra as desigualdades raciais

Nina Silva, Moda

18 de julho de 2020 | 16h00

Ter uma amiga ou um amigo negro não faz alguém menos racista. Nossas relações sociais, instituições públicas e privadas foram e são constituídas a partir do racismo estrutural.

O ocorrido com Miguel, uma criança que caiu do nono andar por crime de abandono, escancara quais corpos têm direito à vida. Nem dentro de nossas casas o racismo descansa, vide o ocorrido com João Pedro, de 14 anos, alvejado e levado pela polícia enquanto brincava. O Movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos, faz parte da luta antirracista de negros e não negros contra políticas e estruturas de cerceamento de direitos da comunidade negra não só pela vida de George Floyd, mas por milhares de vidas negras que são interrompidas diretamente pela política de genocídio negro do Estado.

No Brasil não é diferente. A cada 23 minutos um jovem negro morre, mas não conseguimos nos organizar como comunidade negra por conta de mitos como a democracia racial que nos ceifaram do entendimento da necessidade de mobilização como um só povo. 

Não somos todos iguais, não precisamos ser. A pandemia não nos coloca no mesmo barco, estamos na mesma tempestade, mas alguns estão em iates, outros em pequenas embarcações e nós negros estamos nus jogados em alto-mar. No Brasil e nos EUA, pessoas negras tem maior chance de morrer de covid-19 que pessoas brancas, 32% mais que o índice de letalidade, 67% dos que dependem do SUS e maioria exposta nos serviços essenciais.

Neste estado alarmante, urge a necessidade de maior engajamento de pessoas brancas e das instituições comprometidas com a promoção, defesa e garantia dos direitos humanos, um convite a todos para reflexão crítica e propositiva do processo de desconstrução da branquitude.  

Esteja na linha de frente para proteger e reivindicar pelo direito de pessoas negras se manterem vivas e fora do sistema opressor de exclusão de direitos e oportunidades. Vamos condicionar nosso cérebro continuamente a lutar contra as desigualdades raciais. Para além de uma hashtag.

É necessário enfrentar o desconforto das conversas sobre o racismo e agir: desperte, tire a máscara da democracia racial e seja intencional nas ações por equidade em combate às desigualdades raciais. Te convido a impactar uma vida negra, hoje e sempre.

* Nina Silva é empresária, escritora, mentora de negócios e executiva em tecnologia há mais de 20 anos. Também é CEO e uma das fundadoras do Movimento Black Money

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