Marcelo Hallit
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Nilton Bonder: Autoestima x Confiança

Há várias doenças do “auto”, de exageros de potência: no físico, o autoimune; no social é o autocentrado; na relação, o autoritário

Nilton Bonder, Moda

01 de agosto de 2021 | 10h00

Em tempos em que nem todos temos um pai sem implicar orfandade, e que nem todos são genitores, e sim gestores de seus filhos, vale uma reflexão sobre a função do pai. Entre as responsabilidades de cuidar de um pequeno, desponta a tarefa de calibrar o seu ego. Ego é o elemento da pessoa que negocia com as emoções e com os instintos; é o protagonista das convicções e das ações do indivíduo determinando o senso de si e a projeção de si sobre a vida. Pode ser uma potência, pode ser também um veneno.

Há várias doenças do “auto”, de exageros de potência: no físico, o autoimune; no social é o autocentrado; na relação, o autoritário. Até mesmo a ciência da nossa presença nos faz autoconscientes, constrangidos com o excesso de foco em si mesmo. Os pais não precisam ensinar os filhos a amar a si mesmos. Amar a si mesmo é uma punção da vida. A preocupação materna nessa esfera é de que seu fruto não adoeça de baixa autoestima.

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Algo que, convenhamos, é muito raro. Todos amamos a nós mesmos e até uma criança que revele “odiar” a si mesma, provavelmente, está obcecada consigo mesma. A doença mais comum é a alta autoestima. Doença com efeitos graves. Dizem os sábios que a fonte de toda a tristeza é a soberba, que, por achar-se com direito a tudo, o presunçoso se frustra constantemente. E desponta aí a função paterna para despertar a confiança. 

A confiança está relacionada à capacidade. Não é sobre quem você é, mas sobre o que você pode. Essa mudança de eixo é determinante. Pai é aquele que ensina: “Filho, você pode!”. Seja no limiar do medo ou da adversidade, é a firmeza que alimenta a confiança. Razão pela qual na fé, num momento sem controle, evocarmos: “Ai minha mãe!”; porém, diante de um desafio no qual guardamos controle, apelarmos: “Ai meu pai!” Maternal é de Vênus, paternal é de Marte, um é segurança, outro é confiança. Mesmo em tempos em que ser pai ou ser mãe não é função exclusiva de um homem ou de uma mulher, ainda assim se guarda a diferença do paterno e do materno. Muita gratidão neste dia ao pai, ao cordão umbilical com o mundo. 

Enquanto ensaiamos nossos passos, olhando para trás e assegurando-nos de que lá está a mãe, temos à frente, com braços abertos, o pai. Ele é a confiança. E a cada passo que damos ele se afasta um pouco mais. Não o faz por desafeto, mas porque sua função é aprimorar a confiança. Lindas lembranças guardo de meu pai à frente; e da falta que fez quando não esteve.

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