Narciso no espelho

Narciso no espelho

Você pode não ter percebido, mas, sob máscaras, procedimentos estéticos e cirurgias plásticas vêm ganhando espaço em 2020

Renata Piza, Moda

12 de dezembro de 2020 | 16h00

No começo, era o nada. Em março deste ano, quando a quarentena começou, nos resignamos ao que logo chamaram de novo normal. Uma normalidade esquisita que incluía ficar o tempo todo em casa – para quem podia se dar ao luxo de trabalhar remotamente –, quase sempre de pijama e cara lavada. Sem a pressão social, sumiu parte da vaidade feminina, e muitas mulheres viram isso como libertação de batons e máscaras para cílios.

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Passado algum tempo, porém, o que parecia vantagem, se é que podemos chamar assim, começou a dar espaço àquele velho desejo de se cuidar e até à necessidade de cuidar de problemas estéticos vistos como efeitos colaterais da pandemia e do estresse gerado por ela: aumento de espinhas e da queda de cabelo, por exemplo.

E, claro, passando muito mais tempo se olhando no espelho e na câmera da chamada em vídeo, a autoimagem pode ser confrontada como nunca antes. Eu gosto do que vejo? Estou confortável assim? Resultado: de um lado, a beleza natural, de outro, consultórios e clínicas de estética cheios. “As pessoas estão tentando resgatar a autoestima e ir à luta”, resume Eduardo Fakiani, cirurgião plástico que viu a agenda estourar em setembro e não tem mais horário até janeiro de 2021.

E ainda que autoestima não esteja necessariamente ligada à imagem, se sentir bem com o espelho continua sendo gatilho para a felicidade de muita gente.“Existe uma tendência que foi vista pela primeira vez depois da 2a Guerra Mundial e se repetiu pós-11 de setembro e pós-crise econômica de 2008”, acrescenta Fakiani. “E neste ano de pandemia, crise econômica e incerteza generalizada, estamos vendo novamente o lipstick effect.”

Para quem não está familiarizado com a expressão, aqui vai a tecla Investopedia: durante grandes crises, os consumidores tendem a comprar pequenos luxos, como uma forma de autoindulgência. Sem carro novo, com batom luxuoso. Sem viagem, com rinoplastia. Isso, na economia, é o chamado lipstick effect.

Mas batom de máscara?

Bocas cobertas, novos padrões de comportamento e consumo são desenhados. Em 2020, os olhos são a bola da vez. “Houve um aumento de 65% nas vendas de delineadores na Coreia”, conta Fakiani. Número semelhante ao detectado por Erica Miguelia, CEO da Loveena, clínica especializada em micropigmentação. “Tivemos 60% de crescimento nos últimos três meses. As sobrancelhas já são destaque entre os procedimentos estéticos há um bom tempo e agora, com o uso de máscaras que cobrem metade do rosto, elas ganharam ainda mais evidência”, afirma a criadora do tratamento wild, que promete um resultado mais natural que o da micropigmentação tradicional, além de “levantar” o olhar.

Ficar em casa durante tanto tempo também parece ter ajudado na decisão de eleger 2020 para fazer a plástica desejada há algum tempo. Não só no Brasil, mas nos Estados Unidos, como publicou a Allure, principal revista de beleza do mundo, tem se observado um aumento da procura de cirurgias. “Existem momentos em que todas nós retiramos as máscaras e queremos estar bem”, finaliza Erica, que tem a resposta para a falta de batom: o Hidragloss, procedimento que rejuvenesce e hidrata os lábios, além de deixar um brilho típico de gloss – sem o risco de grudar na máscara.

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