Ralph Gatti/AFP
Ralph Gatti/AFP

Morre Nino Cerruti, estilista que projetou Giorgio Armani nos anos 1960

Italiano vestia grandes figuras de Hollywood e caracterizava-se por um estilo ao mesmo tempo elegante e informal

Brigitte Hagemann, AFP

15 de janeiro de 2022 | 18h40

O renomado estilista italiano Nino Cerruti morreu aos 91 anos, neste sábado, 15.  O "estilista filósofo" revolucionou a forma de se vestir no século 20. Cerruti morreu em um hospital de Vercelli, na região de Piemonte, onde havia sido submetido a uma cirurgia no quadril, de acordo com o jornal Corriere della Sera.

O estilista que vestia grandes figuras de Hollywood caracterizava-se por um estilo ao mesmo tempo elegante e informal. Nos anos 1970, introduziu o conceito de 'casual chic' e inventou a jaqueta masculina desconstruída.

Esse refinamento aparentemente descuidado era, em suas palavras, uma questão de "estilo". Uma palavra que ele preferia a "elegância", que considerava "um terrível gosto antigo". "Ter estilo é misturar cultura e arte", definiu.

Nascido em 25 de setembro de 1930 em Biella, ele abandonou aos 20 anos os estudos de filosofia e o sonho de se tornar jornalista para assumir o comando de uma fábrica têxtil familiar após a morte de seu pai.

Na década de 1960, contratou Giorgio Armani, quatro anos mais novo, como criador de roupas masculinas. Essa associação, que imprimiu uma marca inconfundível no mundo da moda, durou até 1975, quando Armani decidiu criar sua própria marca.

"Sempre vesti a mesma pessoa: eu mesmo", confidenciou Cerruti, que era o primeiro a usar as roupas que saíam de seus ateliês.

"Uma roupa só existe quando alguém a usa. Eu gostaria que você continuasse vivendo, continuasse impregnado de vida, porque é assim que eu as vivi", acrescentou ele, apelidado de "estilista filósofo".

O "Signor Nino", como seus funcionários o chamavam, vestia celebridades do cinema como Richard Gere, Marcello Mastroianni, Robert Redford e Jean-Paul Belmondo.

Calças feministas

Suas criações também alteraram a forma de vestir das mulheres, com a popularização das calças. Uma revolução que acompanhou os ares da rebelião estudantil de 1968, colocando nas passarelas homens e mulheres vestidos da mesma forma.

"As calças deram liberdade às mulheres", disse Cerruti, que fabricou calças para marcas como Coco Chanel. 

"Naquela época era uma escolha corajosa, porque em alguns restaurantes era proibida a entrada de mulheres vestindo calças", lembrou.

Fim de uma era

Esse patriarca da moda italiana, de cabelos fartos e nariz aquilino, era inseparável de seu suéter amarelo, que usava em todos os seus desfiles. 

Aos poucos, a Cerruti ampliou seu raio de ação e se tornou uma marca de perfumes, relógios, calçados e joias. 

Mas a acirrada concorrência no setor de luxo deixa cada vez menos espaço para designers independentes e este verdadeiro pai da moda foi forçado em 2001 a vender seu "Cerruti 1881" a investidores italianos, que declararam falência em 2005.

“Eles têm uma estratégia industrial, não uma estratégia de marca!”, declarou Cerruti. A marca passou então para as mãos do fundo de investimento americano MatlinPatterson e em 2011 se tornou parte do grupo chinês Trinity.

* Atualizada às 19h08 de 15 de janeiro de 2022.

Tudo o que sabemos sobre:
Nino Cerruti

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.