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Procura por modelos confortáveis de jeans crescem no Brasil e no mundo Unsplash

Moda pede por ainda mais conforto

Apesar das calças jeans terem sido trocadas pelos moletons por um tempo, não tem como viver sem a peça curinga de qualquer guarda-roupas. Agora, porém, elas são largas

Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2021 | 18h11

A necessidade do conforto passou a ditar mais a moda. Adeus skinny jeans, olá estilo comfy. “A moda é um movimento que acompanha nossas demandas”, explica a consultora de moda Marcia Jorge. 

“O ‘mom jeans’ (estilo mãe), por exemplo, já vinha há dois anos bem forte, mas você não o encontrava tão facilmente nos grandes magazines. Agora é febre. E todo mundo gosta desse modelo porque, além de ser confortável, ele é muito charmoso.”

Enquanto lá fora o estilo ‘mãe’ disputa lugar com o baggy (perna larga e a cintura baixa), aqui no Brasil, o estilo wide faz a vez do concorrente. “A brasileira tem um lance com a sexualidade, então aqui o que promete entrar acima da baggy é a wide, que se parece com uma pantalona, mas mais justa no quadril, marcando bem a cintura, que é alta”, conta Marcia. Outro modelo semelhante e que já vem ocupando as lojas do setor é o slouchy, também de cintura alta, mas com pregas e acabamento de alfaiataria.

Além do conforto, as peças devem ser multifuncionais. Afinal, com o minimalismo e a sustentabilidade em alta, a procura por peças-chave, que possibilitem diversas combinações de looks, cresce – rompendo com o consumismo. Isso vai ao encontro com a indústria, que muito fala do upcycling (reutilização criativa) e criações patchworking, feitas com retalhos. 

Assim, dentre os modelos do street style (moda de rua, em inglês) – que é a moda feita pelas pessoas, de acordo com suas necessidades e estilo –, chamam a atenção os que mesclam diferentes tons de denim, o tecido do jeans, e os destroyed, as famosas calças rasgadas que voltam a ser tendência este ano. “Em termos de lavagens, o que está vindo para valer são as mais claras. Porém, a escura é um clássico e a gente usa, ama, não tem jeito”, afirma Marcia.

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A nova era do jeans? Uma década depois, as calças ficam mais largas

Multidões de consumidores americanos estão comprando jeans folgados, de cintura alta, e as empresas acreditam que esses modelos podem ser tornar a marca do mundo pós-pandemia

Sapna Maheshwari, The New York Times

22 de abril de 2021 | 20h00

O obituário dos jeans apertados foi escrito e reescrito diversas vezes desde que esses modelos entraram na moda, mais de uma década atrás, mas os trajes ajustados perseveraram, apesar de tudo. Os jeans apertados emergiram em novas cores e cortes, com variados níveis de elasticidade, para permanecer na moda e nas prateleiras de lojas como Bloomingdale’s e Old Navy, delineando implacavelmente tornozelos e canelas do país.

Mas, atualmente, os sussurros a respeito de sua derrocada podem ser verdadeiros, enquanto multidões de consumidores americanos compram jeans folgados e de cintura alta. Em uma recente divulgação de resultados, executivos da Levi Strauss & Co. afirmaram que a tendência das vendas mostrou que jeans folgados, até de corte baggy, fazem sucesso entre mulheres e homens - e candidatam-se a virar a marca registrada do nosso mundo pós-pandemia.

“O último ciclo do jeans durou mais de 10 anos, e foi um ciclo de calças apertadas”, afirmou em entrevista Chip Bergh, diretor executivo da Levi’s, uma das maiores fabricantes de jeans do mundo. Mas, ainda que seja cedo para decretar o fim dessa era, afirmou ele, “estamos realmente vendo muita aceitação desses modelos mais folgados, e todos os nossos concorrentes seguiram essa tendência e estão vendo a mesma aceitação”.

“Se isso se sustentar por mais uma ou duas temporadas”, acrescentou Bergh, “é muito possível que estejamos em um novo ciclo do jeans”.

Esse estilo é chamado com frequência de “mom jeans” (jeans da mamãe), incluindo no site da Levi’s, onde esses trajes são exibidos com destaque. Os jeans folgados ganharam maior visibilidade no ano passado em páginas de Instagram de fashionistas, entre adolescentes dos programas da Netflix e jovens do TikTok. Bergh afirmou que consumidores mais jovens estão combinando com frequência tops mais apertados com os jeans folgados. “Parece ser o visual da geração Z e dos jovens millennials da atualidade,” afirmou ele.

O tipo de jeans que os americanos usam, seja boca de sino, flare ou jeans apertados, é associado com frequência a períodos históricos específicos, e os varejistas estão ansiosos para ver o comportamento dessa tendência de jeans folgados no tão esperado Período Pós-Pandemia. Para a indústria do vestuário, uma das mais prejudicadas no ano passado, a perspectiva de um novo estilo de jeans é bem-vinda, enquanto o setor tenta impulsionar as vendas e empolgar os consumidores novamente com a moda.

Jeans apertados ainda representam a maior fatia das vendas de jeans femininos, de 34%, nos Estados Unidos, de acordo com dados do NPD Group. Mas a fatia de mercado desse estilo de jeans teve queda de sete pontos percentuais em um ano, até fevereiro de 2021. A firma de pesquisas afirmou que o mercado de jeans femininos nos EUA movimenta US$ 7,1 bilhões.

No início do ano passado, a Levi’s introduziu uma pequena coleção de jeans femininos de cortes folgados, cintura alta e pernas largas chamados de calças balão, que venderam “muito, muito bem”, fazendo com que a fábrica dobrasse a produção desses modelos, afirmou Bergh. A empresa informou em seu informe de rendimentos que no trimestre anterior também viu as vendas de modelos de jeans masculinos mais folgados, como  Levi’s 550 e 559, aumentarem em 50% em relação ao ano anterior. Poucos anos antes, a Levi’s havia considerado encerrar a produção desses modelos em razão das baixas vendas.

A tendência não se restringe à Levi’s, que afirma ter inventado o blue jeans em 1873. A Madewell, popular rede de varejo do J. Crew Group, também tem sentido o entusiasmo em torno dos jeans de corte mais folgado e calças balão, mesmo entre adeptos dos jeans apertados, o que é tido como uma reviravolta na moda.

“As pessoas que persistiam nos jeans apertados há bastante tempo estão dizendo, ‘OK, vou experimentar o outro lado ver como a coisa funciona’”, afirmou Anne Crisafulli, vice-presidente sênior de merchandising da Madewell.

Conhecida por seus jeans, a Madewell tem desenhado modelos que ajudam os consumidores a fazer a transição para cortes mais folgados, em uma tentativa de oferecer “uma adaptação gradual para as pessoas que estão deixando as roupas apertadas”, afirmou Anne. Os clientes parecem querer que a tendência de jeans “mais folgados e confortáveis” avance, acrescentou ela.

Bergh ressaltou que o ganho de peso relacionado à pandemia poderia estar incentivando o interesse nesses jeans entre as pessoas que estão renovando os guarda-roupas.

A Levi’s, com sede em San Francisco, viu seu faturamento cair 23%, para US$ 4,45 bilhões, em 2020, enquanto muitos varejistas registravam quedas nas vendas em razão do fechamento temporário das lojas e de mudanças de hábitos de consumo. As vendas também caíram no primeiro trimestre deste ano, encerrado em fevereiro, mas Bergh ressaltou que isso foi antes das vacinas serem distribuídas “amplamente” nos Estados Unidos. Ele disse estar otimista em relação ao ressurgimento do jeans.

“Quando as pessoas pensam em voltar a sair de casa, pensam a respeito de qual será o novo visual do momento - e entram no nosso website, entram em outros websites, acessam revistas de moda e veem modelos mais folgados, mais largos, como nova tendência”, afirmou Bergh. “O fato de as pessoas estarem liberadas para finalmente sair para jantar fora com a família ou os namorados lhes dá um pretexto para atualizar o guarda-roupa, atualizar o visual e se exibir um pouco - e acho que é isso o que estamos vendo agora.”

E, ainda assim, mesmo que os jeans mais folgados sejam o visual dos anos 2020, isso não significa que os jeans apertados vão desaparecer.

“Acho que os jeans apertados nunca desaparecerão completamente”, afirmou Bergh. “As pessoas estão mesclando os visuais, e as mulheres, em particular, têm muitas opções.”

Tradução de Augusto Calil

 

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