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Jovens apostam para além do hobby e costuram suas roupas cada vez mais

Críticos da indústria têxtil, novos costureiros apostam em sustentabilidade

Valentine Graveleau, AFP

22 de fevereiro de 2022 | 08h00

De confortáveis calças para correr a vestidos de verão, Lea Baecker confeccionou a maior parte de seu guarda-roupa em seu apartamento em Londres, juntando-se a uma comunidade de jovens costureiras críticas de uma indústria têxtil que consideram muito destrutiva. "Queria ser independente do prêt-à-porter", disse Baecker, uma doutoranda em neurociência de 29 anos, à AFP. Estimulada por sua rejeição à "fast fashion", roupas baratas que são rapidamente descartadas, ela começou a costurar em 2018, começando por pequenas bolsas.

Quatro anos depois, "aproximadamente 80% das suas roupas" são feitas em casa: de pijamas a casacos longos e jeans costurados com retalhos de jeans recuperados de membros de sua família. Usando um vestido longo costurado à mão, Lea Baecker conta que quase não compra mais roupas novas. A indústria da moda e têxtil é o terceiro setor mais poluente do mundo, depois dos de alimentos e construção, e representa até 5% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, de acordo com um relatório publicado há um ano pelo Fórum Econômico de Davos. 

As marcas de moda de baixo custo são regularmente criticadas pelo desperdício e pela poluição que causam, assim como pelas condições salariais impostas aos seus trabalhadores. Tara Viggo conhece bem essa indústria de "fast fashion", na qual trabalhou por 15 anos como modelista.  "Via a quantidade de roupas que entravam e saíam dos depósitos, era assustador", lembra.

Em 2017, decidiu criar seus próprios moldes (os desenhos em papel das partes de uma peça de vestuário), sem pressa, colocando à venda apenas um modelo por ano, longe dos "quatro moldes por dia" às vezes pedidos pela indústria do prêt-à-porter."Não acho que a H&M vá fechar amanhã", comenta, sobre a gigante sueca do setor têxtil, mas a costura leva-a à reflexão: "Depois que você sabe costurar, não consegue imaginar que uma camisa custe três libras" (R$ 21).

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