Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE
Stiftung MUte Klophaus / Leihgabe der Ernst von Siemens Kunststiftung
Stiftung MUte Klophaus / Leihgabe der Ernst von Siemens Kunststiftung

Joseph Beuys: A REvolução somos nós

Defensor da união entre arte, natureza e sociedade, Joseph Beuys completaria 100 anos neste mês

Beta Germano, Moda

06 de junho de 2021 | 07h00

Um chapéu fedora, botas pesadas e um colete de pesca. O olhar? Sempre profundo. O alemão Joseph Beuys (1921-1986), um dos mais importantes artistas do século 20 e cujo centenário é comemorado neste mês, foi mais que um artista, tinha uma presença tão potente (dizem os que o conheceram) quanto a de um xamã. Os mitos em torno de Beuys começam na sua própria história de vida: ele tinha apenas 12 anos quando o partido nazista assumiu o poder na Alemanha e, entre 1941 e 1944, foi voluntário na Força Aérea do país. 

No dia 16 de março de 1944, seu avião foi derrubado na região da Crimeia e, segundo a lenda criada por ele mesmo, foi resgatado por nômades tártaros, que o envolveram em gordura animal e feltro para aquecer o seu corpo. Ninguém sabe se a história é verdadeira, mas essa narrativa explica alguns pontos de seu trabalho, que envolvem situações de emergência, perigo, resgate e cura.   

Beuys era adepto da Antroposofia, ciência espiritual liderada por Rudolf Steiner que coloca o homem como participante efetivo (e responsável) de tudo o que acontece no mundo, e acreditava na vinda de Jesus Cristo como a inauguração da ideia de autodeterminação. Logo, a cruz seria um sinal, aos olhos do artista, da liberdade individual. Para ele, todo homem é artista – ou “projetista social do futuro”, “um modelador da realidade em que vive”. 

Ou seja: O ser humano é um ser criativo que pode ser produtivo de várias maneiras diferentes para construir uma sociedade melhor. A Revolução Somos Nós – escreveu em uma de suas obras, frase que virou lema de uma era. Com essa ideia em mãos, expandiu o conceito da arte e criou a ideia de “escultura social”: pensar é esculpir e qualquer ação que interfira em questões sociais e ambientais pode ser arte.  

Defendia uma filosofia de que a transformação social poderia ser alcançada se todos aplicassem suas energias criativas para uma mudança positiva nas atividades cooperativas. O maior exemplo desse conceito foi a criação de 7 mil Oaks. Durante a Documenta de 1982, um dos eventos mais importantes das artes que ocorre de cinco em cinco anos na cidade de Kassel, na Alemanha, o artista plantou 7 mil árvores com a participação do público. O objetivo era promover uma conscientização e mudança ambiental e social, além de mostrar o poder da criatividade e da vontade humana.  

Mestre na fusão entre arte, vida e ativismo, foi um dos primeiros artistas ambientalistas, chegando a ser um dos fundadores do Partido Verde alemão. Incentivava uma aproximação do homem com a natureza e apontava para o impacto assombroso da ação humana. “Sempre enxerguei a conexão entre o ser humano e o meio ambiente como a tarefa mais importante da arte. Todos nós sabemos que a evolução humana foi auxiliada por esses seres que agora estamos matando”, explicou o artista, certa vez, em uma entrevista em 1968.  Ele apontava para os problemas de seu tempo: poucos empregos, necessidade de uma relação com a natureza, ameaça militar e até falta no próprio sentido da vida. Soa familiar?

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.