Divulgação/Celine
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Jogada de mestre

A nova coleção da francesa Celine chega pautada pelo mundo dos esportes

Alice Ferraz, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2020 | 05h00

Nossa série de textos sobre as novas coleções de marcas brasileiras entra em hiato esta semana para dar espaço à marca francesa Celine. Fundada em 1945, e hoje parte do conglomerado de marcas de luxo LVMH, a marca apresentou seu verão 2021 na segunda-feira (26). Pela primeira vez, o evento ocorreu fora do calendário da semana de moda de Paris. O desfile virtual gravado em Mônaco trouxe o novo olhar do diretor criativo Hedi Slimane. A coleção chega com forte influência da tendência Athleisure, palavra em inglês que nasceu da junção dos termos athletic e leisure, ou atlético e lazer, em português. O estilo é caracterizado pelo uso de elementos das roupas esportivas em peças casuais para uma moda confortável, leve e descomplicada.

A aposta athleisure é assertiva para o momento mundial e se conecta perfeitamente com a mulher brasileira por alimentar a sensação de liberdade tão desejada nessa temporada. Outro conceito despertado é o de conforto na hora de vestir, simultaneamente, a vontade de estar bonita para um recomeço, um impulso de vida. Por isso, o que vimos na passarela da marca – e por passarela estamos falando de uma pista de atletismo construída especialmente para o desfile no Estádio Louis II, em Mônaco – são peças de moletom combinadas a quase todos os looks. Shorts, calças e blusões são combinados e sobrepostos à alfaiataria e a vestidos de seda. Tênis, botas de cano baixo e sapatilhas mantêm os pés no chão, dando suporte e, de novo, conforto para as caminhadas diárias entre um compromisso e outro.

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A cabeleira

A cabeleira

Um ponto central na imagem criada por Heidi para essa Celine mais causal é a barriga de fora, um código dos anos 1990, que volta atualizado com top cropped, por baixo de jaquetas de couro, blazers e Bomber Jackets. Raras foram as marcas internacionais nesta temporada que conseguiram detectar e produzir a tempo uma coleção que falasse de forma tão precisa com a mulher desse momento de pandemia e ao mesmo tempo com o Brasil. A Celine de Hedi Slimane certamente foi uma delas. Slimane é um dos diretores criativos mais reconhecidos do mundo da moda, fez seu nome trabalhando para a Dior Hommes e deixou sua marca em seu tempo à frente da Saint Laurent, sendo conhecido por criar peças ultra justas e exaltar a força da juventude.

À frente da Celine desde 2018, o francês enfrentou duras críticas no início de sua jornada na marca, tanto do público quanto da mídia especializada, que alegavam um descompasso entre o estilo de Hedi e o espírito da marca Celine. No entanto, o que vemos nessa coleção é um equilíbrio entre suas vontades e a percepção dos desejos do mundo. Um conforto para os corações fashionistas ver Hedi tão conectado com a realidade e nossos desejos.

Uma coleção tão certeira para o público brasileiro chega em boa hora já que a Celine se prepara para abrir sua primeira loja no País. Com operação no Brasil pela JHSF, a abertura do ponto está prevista para a primeira semana de dezembro no shopping Cidade Jardim. A marca francesa que já foi sinônimo de uma moda minimalista e hermética demais para o Brasil promete, nesta temporada, garantir lugar cativo no coração da mulher brasileira.

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