Herton Escobar/Estadao
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João Braga: Um importante eco, lógico!

É a realidade da famosa sentença sustentável do “ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso”

João Braga, Moda

19 de junho de 2022 | 07h00

A moda sempre teve uma relação de proximidade com a natureza. Algumas vezes mais óbvias, outras vezes mais sutis e, até mesmo, atualmente, por fundamentos mais ideológicos. Flores, folhagens e animais sempre serviram de inspiração, especialmente para bordados e estampas.

Entre inúmeros outros exemplos, cito a estética do Art Nouveau, entre o final do século 19  e o princípio do século 20, na qual toda a exuberância da natureza serviu de referência para os estilizados traços curvos em linhas chicoteadas e/ou labaredas, tanto para a moda quanto para outras áreas; e, também, os hippies dos anos 1960/70, que valorizavam uma vida mais ao natural com os visíveis rebatimentos na maneira de se vestir vinculada à natureza.

Todavia, num passado mais próximo, a preocupação com a preservação planetária ganhou significativa importância a partir do acidente nuclear de Chernobyl, em 26 de abril de 1986.

O eco, lógico, no mundo da moda se deu com a então denominada “moda ecológica”, ainda na segunda metade daquele decênio. Inspirações na natureza; privilégio das fibras naturais e tons terrosos e esverdeados passaram a fazer parte das coleções em geral. O acirrado combate ao uso de peles foi pauta de ativistas que reverberou em agressões às usuárias e, até mesmo, pichações de casacos.O meio ambiente tornou-se assunto de urgência, especialmente a partir do ECO-92.

Ao cairmos nos anos 2000, surgiu-nos o conceito de “sustentabilidade”, que carrega 4 pilares, ou seja, não só abarca o eco-ambiental, mas também o econômico, o social e o cultural, aplicado por políticas públicas e/ou iniciativas privadas.

Do marketing do “valor agregado” à prática do “valor reconhecido”, chegamos à atualização da “moda rastreável”, na qual o produto a ser comercializado vem indicando procedência, processo sustentável de fabricação e, muitas vezes, o nome de quem elaborou a peça, esclarecendo ao consumidor final todo o percurso de sua feitura. 

Eis, então, a diminuição de resíduos com o consumo consciente. É a realidade da famosa sentença sustentável do “ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso”.

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